ANO: 25 | Nº: 6381

José Artur Maruri

josearturmaruri@hotmail.com
Colaborador da União Espírita Bajeense bagespirita.blogspot.com.br
03/08/2019 José Artur Maruri (Opinião)

Cumprimento da lei

“Não vim destruir a Lei, mas dar-lhe cumprimento”.
Companheiros inúmeros, em rememorando semelhantes palavras do Cristo, decerto, guardarão a ideia fixada simplesmente na confirmação doutrinal do Mestre divino, ante o ensinamento de Moisés.
A lição, todavia, é mais profunda.
Sem dúvida, para consolidar a excelência da lei mosaica do ponto de vista da opinião, Jesus poderia invocar a ciência e a filosofia, a religião e a história, a política e a ética social, mobilizando a cultura de seu tempo para grafar novos tratados de revelação superior, empunhando o buril da razão ou o azorrague da crítica para chamar os contemporâneos ao cumprimento dos próprios deveres, mas, compreendendo que o amor rege a justiça na Criação universal, preferiu testemunhar a Lei vigente, plasmando-lhe a grandeza e a exatidão no próprio ser, através da ação renovadora com que marcou a própria rota, na expansão da própria luz.
É por isso que, da Manjedoura simples à Cruz da morte, vemo-lo no serviço infatigável do bem, empregando a compaixão genuína por ingrediente inalienável da própria mensagem transformadora, fosse subtraindo a Madalena à fúria dos preconceitos de sua época para soerguê-la à dignidade feminina, ou desculpando Simão Pedro, o amigo timorato que abdicava da lealdade à última hora, fosse esquecendo o gesto impensado de Judas, o discípulo enganado, ou buscando Saulo de Tarso, o adversário confesso, para induzir-lhe a sinceridade a mais amplo e seguro aproveitamento da vida.
E é ainda aí, fundamentado nesse programa de ação-predicação, com o serviço próximo valorizando-lhe o verbo revelador, que a Doutrina Espírita, sem molhar a palavra no fel do pessimismo ou da rebeldia, satisfará corretamente aos princípios estabelecidos, dando de si sem cogitar do próprio interesse, transformando a caridade em mera obrigação para que a justiça individual pelo bem comum, a norma de felicidade legítima para solucionar na melhoria de cada um de nós, o problema de regeneração da humanidade inteira.

(Referência: Pelo Espírito Emmanuel em psicografia de Francisco Cândido Xavier. Abrigo. Editora IDE. Cap. 16)

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