ANO: 25 | Nº: 6383

Dilce Helena Alves Aguzzi

dilcehelenapsicologa@gmail.com
Psicóloga
06/08/2019 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Atualização concluída com sucesso

A revolução tecnológica impõe uma série de hábitos e atitudes que nem sempre concordo, e por alguns confesso ter verdadeira irritação como a necessidade de constantemente trocar dispositivos por novos, novos aplicativos, aparelhos, atalhos, programas, objetos e formas de uso. Talvez por eu pertencer a uma geração em que um eletrodoméstico ou aparelho eletrônico adquirido em casa fosse recebido com empolgação e acompanhava nosso crescimento quase como um membro da família, ou, talvez por ser muito contrária a necessidade inventada de substituir desmedidamente o que é bom e útil pelo novo apenas por novidade... Sei lá, um pouco de bronca mesmo com o consumismo sem medida.
O fato é que um lado positivo é inegável na invasão tecnológica, menos apego. Se há uma forma mais fácil ou mais acessível de fazer algo aceita-se, adota-se e pronto.  Afinal de contas apego não é afeto, apego não é amor, apego não é bom. Apego é necessidade excessiva de algo, como para que respirar... O apego encobre nossas fragilidades, vaidades e egoísmos. Apegar-se a formas de ver e encarar a vida entrava o crescimento, obstrui os caminhos da evolução. Manter posições, pontos de vista e convicções sem revisão expõe uma alma empoeirada e uma personalidade rígida que tende à fratura iminente ante as dificuldades. Não  atualizar pensamentos, percepções e conhecimentos é tão prejudicial quanto trocar constantemente apenas por adesão a modismos bossais.
Sabemos que estamos vivos e conectados ao tempo presente quando conseguimos acompanhar ainda que apenas com o olhar o mundo dinâmico a nossa volta. Também é sinal de inteligência emocional realizar algumas alterações, pequenas atualizações em nosso software pessoal que auxiliem no processo de compreender e ser compreendido.
Percebemos que estamos realizando um bom trabalho na tarefa de viver em compasso com a sucessiva passagem do tempo e evolução dos costumes quando não tentamos impor o hábito pelo hábito, o fazer assim ou assado apenas por que sempre foi realizado dessa maneira.
Notamos que estamos em ação quando os mais jovens conversam conosco e querem ouvir nossa opinião, quando relatam suas descobertas e principalmente quando queremos escutar e compreender porque fazem escolhas tão diferentes, porque são como são, sentem como sentem e talvez percebamos que suas motivações não são tão diferentes de nós assim...
Sempre que um filme novo emociona, uma nova música agrada, quando entendemos outra opção de viver por mais diversa que seja, a cada oportunidade que vemos beleza num cabelo que não usaríamos, num casal que não formaríamos, sempre que respeitamos as escolhas alheias sem demonizá-las estamos expandindo nossos limites; sempre que percebemos que as regras do jogo mudaram, que aceitamos o fato de que aquilo que nos motivou não estimula os outros na mesma medida estaremos aceitando a proposta de estar vivos. Enquanto essas coisas estiverem acontecendo estamos aprendendo provavelmente a melhor das lições das novas tecnologias, ou seja, a reciclar e ventilar nossas ideias. Aí, então, saberemos que nossa atualização está se concluindo com sucesso.

“Apego não é afeto,
apego não é amor,
apego não é bom”

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