ANO: 25 | Nº: 6378

Luiz Fernando Mainardi

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Deputado Estadual
07/08/2019 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

De novo, a crise das finanças

Quem não lembra do ex-governador Sartori (que cumpra bem sua aposentadoria) reclamando da crise financeira do estado e repetindo até a exaustão que era muito difícil governar o Rio Grande do Sul, blá, blá, blá....? O discurso depressivo e deprimente e que sustentava arrocho sobre o funcionalismo público e cortes em verbas da saúde e da educação aplicados por seu governo não resolveu o problema, ao contrário. O déficit, vejam vocês, aumentou. Era R$ 1,56 bi no primeiro semestre de 2015 (primeiro ano do governo Sartori) e chegou a R$ 2,27 bi no primeiro semestre deste ano.

Incrível não. O Sartori passou quatro anos martelando na cabeça dos gaúchos que a política de cortes e arrocho que vinha aplicando era a única saída para resolver os problemas do Rio Grande. Fez tudo isso. E, repito, o problema se agravou. Será que não é a política que está errada? Será que não é o caso de olhar a realidade e pensar sobre ela de forma objetiva?

Qualquer um com abertura de espírito e que não esteja cego pela ideologia, analisaria os indicadores da situação financeira do estado nos últimos quatro anos, cotejaria essa situação com a situação anterior e compararia as políticas que foram desenvolvidas em um e outro governo e chegaria a conclusões parecidas. O desenvolvimentismo de Tarso e do governo federal da época é mais eficiente do que a austeridade do governo Sartori e do governo federal de sua época.

Provavelmente, o atual governador Leite entenda isso do mesmo jeito que qualquer um entende. Mas, ao contrário do bom senso, conclui que deve manter a mesma política de Sartori, agora, inclusive, com muito mais efetividade, já que, diferentemente do governador anterior, tem maioria na Assembleia Legislativa para aprovar o que quer (pelo menos até agora). Eu acho que isso só pode ser explicado por cegueira ideológica.

Veja um caso citado na matéria publicada ontem em um jornal da capital. Diz a matéria: "Para reverter a situação, o governo (Leite) aposta em um conjunto de medidas. Entre elas, estão a venda de ações do Banrisul, suspensa na Justiça, e a adesão ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF)" (ZH, 5/8, pg 8). Vejam, vender ações do Banrisul e trabalhar para a adesão ao RRF, foi exatamente o que praticou o governador Sartori. E isso PIOROU a situação das finanças, ao contrário de melhorar. Será que não é óbvio para Leite e seus assessores?

O Banrisul é um banco sob o controle do Estado. Pode e deve ser usado para impulsionar o desenvolvimento, fomentar os investimentos privados. Numa crise, como a que estamos vivendo, falta o que? Basicamente mercado ativo, confiança no futuro (para mobilizar os empreendedores) e capital disponível. Não é o caso, de, ao contrário do que está sendo pensado (vender ações) que o banco do estado crie programas específicos de financiamentos e fomento? Pois é. Mas o governo olha o Banco como um depositário de capital para financiar o seu próprio funcionamento. Quer dizer, vai vender um patrimônio (que dá lucro e injeta dinheiro no Tesouro todos os anos) para gastar em despesas correntes. Isso é o que se chama "torrar o patrimônio". E quando o estado não tiver mais ativos para vender?

Já a adesão ao RRF é um assunto recorrente. Tornou-se uma espécie de "utopia", um mantra do governo do Estado, desde Sartori. Para esses governantes do MDB e PSDB e PTB, a adesão ao RRF vai resolver todos os problemas do Rio Grande. Nunca uma mentira foi tão repetida. O RRF vai permitir, basicamente, que o Estado não pague sua dívida com a União por um período determinado. Mas percebam: a dívida não deixará de existir e os juros continuarão incidindo sobre ala. O resultado é que, em seis anos, estaremos mais endividados e, provavelmente, enfrentaremos, aí sim, uma situação falimentar. Além disso, o RRF exige limitação de gastos e congelamento salarial, o que, não precisa ser economista para entender, deprimirá ainda mais a economia do Rio Grande do Sul.

A adesão de Leite, assim como fez Sartori, à política de austeridade federal, revelada pela agenda da reforma da previdência, por exemplo, apenas corrobora e reforça isso tudo. A reforma da previdência tirará renda dos pobres e diminuirá a circulação de dinheiro nos mercados locais, diminuindo o consumo e gerando um ciclo negativo que reverte em menor crescimento. A saída, como se vê, é exatamente o contrário do que está sendo feito e proposto por Bolsonaro e Leite.

É triste ver o governo errar tanto. E o pior é que, como diz o povo, errar é humano, mas repetir o erro é uma tremenda burrice ou maldade mesmo.

Líder da bancada do PT na ALRS.

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