ANO: 25 | Nº: 6378

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
10/08/2019 Airton Gusmão (Opinião)

Cuidemos das famílias

Continuamos refletindo sobre as vocações. De 11 a 17 deste mês acontece em todo o país a Semana Nacional da Família, que tem como tema a pergunta: “A família, como vai?”.
Mesmo diante da uma crise cultural, antropológica e ética profunda em que estamos vivendo, e que afeta de modo especial a família, com seu individualismo pós-moderno, com a chamada “cultura do provisório”; precisamos trazer presente duas afirmações sobre a família: o bem da família é decisivo para o futuro do mundo e da Igreja; e, todos somos chamados a cuidar com amor da vida das famílias, porque elas não são um problema, são sobretudo uma oportunidade.
O Papa Francisco, na intenção para este mês de agosto, pede para que as famílias, graças a uma vida de oração e de amor, se tornem cada vez mais ‘laboratórios de humanização”, quando diz: “Cuidemos das famílias, porque são verdadeiras escolas do amanhã, são escolas de liberdade, são centros de humanidade e laboratórios de humanização. Que mundo queremos deixar para o futuro? Deixemos um mundo com famílias, cuidemos das famílias, porque são verdadeiras escolas do amanhã”.
A Igreja, no Brasil, nos diz que o mundo passa por profundas transformações, por uma mudança de época, onde os fundamentos últimos para a compreensão da realidade se tornam frágeis a ponto de suscitar perplexidades e insegurança; com alterações nas compreensões mais profundas a respeito da vida, de Deus, do ser humano, da família e de toda a realidade (DGAE 2019-2023, documentos da CNBB 109, nº 43).
Diante desta realidade, podemos desanimar, nos conformar, caindo num determinismo, como muitos querem que pensemos, ou reagir, com esperança, criatividade evangélica e ações proativas, num discernimento permanente, com os pés no chão, no seguimento de Jesus Cristo e em comunidade eclesial missionária.
Falando em esperança, ouvimos na liturgia da Palavra deste domingo, o dia dos pais, início da semana nacional da família, que: “A fé é um modo de já possuir o que ainda se espera” (Hb 11,1), e ainda: “Sejam como pessoas que estão esperando seu senhor voltar para abrirem, imediatamente, a porta (Lc 12,36-40). Esperar contra toda esperança humana significa que nossa esperança não se apoia em nossa inteligência, nossas forças e recursos, mas em Alguém que é maior do que nós e que pode mudar nossa realidade, nossa situação. Este Alguém que esperamos e confiamos é Jesus Cristo.
Não falamos aqui de uma esperança simplesmente humana ou passiva, pois nada muda por si mesmo. As coisas começam a mudar quando nós, movidos pela verdadeira esperança, nos desacomodamos e nos dispomos a enfrentar o que precisa ser transformado, que pode ir mudando a nós mesmos e a realidade em que estamos inseridos. A esperança é necessária para não cairmos no desespero, fatalismo, pessimismo ou resignação, diante dos sofrimentos, provações e dificuldades pessoais, familiares e sociais.
A família, como obra predileta de Deus, como vocação para o amor e a comunhão, não é criação humana, nem do Estado, nem da Igreja. Ela é constitutivamente ligada à natureza do homem e da mulher, para o bem e a felicidade pessoal, da sociedade e da Igreja. É o que afirma também o Documento de Aparecida: “A família, patrimônio da humanidade, é a primeira escola de fé, o lugar e escola de comunhão, fonte de valores humanos e cívicos, lar onde a vida humana nasce e se acolhe generosamente e responsavelmente” (DAp, nº 302).
Cuidemos das famílias para que elas sejam centros de humanidade e laboratórios de humanização. Parabéns a todos os nossos pais. Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

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