ANO: 25 | Nº: 6308

Marcelo Teixeira

marceloct@ymail.com
Advogado e professor universitário - Urcamp
10/08/2019 Marcelo Teixeira (Opinião)

Sucessivas insatisfações

Nos anos 80, a gente tinha os "rebeldes sem causa". Da mesma época, até hoje, os EUA testemunham com triste regularidade os massacres em escolas e aglomerações públicas, promovidos sem nenhuma justificativa. Nos últimos dias, por conta de uma série de reportagens do programa Fantástico, da Rede Globo, conhecemos várias histórias de depressão, com destaque para os ricos e famosos. Em comum entre estes fatos destacados em ordem cronológica, a falta de um motivo, de uma razão. A ausência de uma causa determinada ou determinável e isso, para muitos, atrapalha sobremaneira a compreensão desse fenômeno ou tipo de comportamento. Em raciocínio invertido, é como se a rebeldia, os massacres e a depressão fizessem sentido caso viessem acompanhados de uma causa ou razão.
O destaque dado para os ricos deprimidos, por exemplo, parte do pressuposto de que pessoas ricas e famosas não teriam motivo para estarem deprimidas, como se depressão fosse uma exclusividade de pobres anônimos. Essa dificuldade de compreensão é uma reação típica dos racionais diante de uma aparente irracionalidade de quem se esperava um mínimo de razão nas suas ações, ou seja, a maioria das pessoas reage assim diante de um comportamento ou desatino racionalmente incompreensível.
É provável que Freud explique tudo isso, visto que há uma clara ligação com questões psíquicas e, por isso, já deve ter sido estudado e entendido. Todavia, no que diz respeito à depressão dos ricos e famosos, é difícil resistir à tentação de especular leigamente sobre as razões e, pedindo licença e desculpas aos profissionais da área, começo relembrando uma polêmica máxima da sabedoria popular que diz: "dinheiro não traz felicidade." Polêmica porque tem gente que jura que é mentira, mas a maioria desses é composta por quem não tem dinheiro e acha que o dinheiro poderia resolver todos os seus problemas.
Até pode ser que o dinheiro termine com os problemas de quem não tem dinheiro, mas isso não quer dizer que quem tem dinheiro não tenha problemas. E é aqui que reside o "x" da questão! Não é raro que as pessoas alimentem muita expectativa em seus projetos e sonhos de consumo e quando, finalmente, com muito esforço, paciência e sacrifícios, conquistam aquilo que desejavam, enfrentam uma grande decepção pela quebra de toda aquela expectativa. Como diz outra máxima da sabedoria popular, "para evitar decepções diminua suas expectativas."
"Era só isso?" Ou, "não era tudo aquilo que eu imaginava!". Aquele momento que muitos experimentam ao longo da vida de perceber que "era feliz e não sabia". Passar uma vida inteira correndo atrás da felicidade sem perceber que a felicidade sempre esteve ali ao seu lado. Era só olhar e ver!
Não deve ser sempre assim e talvez nem seja predominante, mas, neste contexto, talvez se explique pelo menos alguns casos de depressão de pessoas ricas e famosas.

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