ANO: 25 | Nº: 6308

Dilce Helena Alves Aguzzi

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Psicóloga
13/08/2019 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

O Complexo de Buzz Ligthyear

Hoje retomo um tema que publiquei há algum tempo.
A exemplo de complexos como o de Cinderela e Clark Kent, que ajudaram muitos a se identificar com arquétipos dos contos de fadas e histórias em quadrinhos e foram instigados a rever e transformar comportamentos, apresento o complexo de Buzz Ligthyear.
Personagem central da trilogia Toy Story da Pixar Animation Studios, Buzz é um boneco patrulheiro estelar que tem a missão grandiosa de salvar a galáxia da dominação maléfica de Zurg, o imperador.
Poderia ser uma historinha boba para divertir crianças apenas, mas não é.
Toy Story faz pensar de muitas formas, desde a importância do brincar e da amizade na infância e vida afora até às diferentes fases do crescer físico e emocional. Destaco o personagem patrulheiro espacial e por que algumas pessoas podem se identificar com ele.
Sua trajetória inicia quando sai da caixa de brinquedo, que é uma espaçonave de papelão, e desembarca no quarto de um menino cheio de outros brinquedos. Orgulhoso de si e de suas habilidades, Buzz leva-se extremamente a sério a ponto de desconhecer que é um brinquedo. Ele realmente acredita que voa, que tem um laser mortal e que a vida no universo depende dele. Os relacionamentos com os demais brinquedos vão atritar e desafiar Buzz a descobrir a verdade. Ele vive uma farsa. Não pode fazer tudo o que pensa que pode. Sua existência não tem a relevância que imagina. Na verdade é visto pelos outros como pedante, metido, burocrático ou apenas excêntrico.
Em face da verdade, mergulha numa crise de identidade e autoestima. O triste torna-se hilário quando, não tendo outra opção, passa a fazer ironia e graça de sua posição ridícula. A partir do confronto com sua verdade mais intensa, sentimentos sem máscaras, surgem laços significativos e verdadeiros, onde Buzz realmente descobre talentos e seu real papel na vida.
Ainda não elaborou o Complexo de Buzz Ligthyear aquele que:
- Leva-se a sério demais.
- Pensa que suas ideias são inéditas.
- Burocratiza o simples.
- Tem dificuldades em sair do programado
- Não consegue rir de seus próprios infortúnios.
- Vê os outros como pobres mortais aos quais não foi confiada uma grande missão como a sua que, obviamente, nunca se concretiza.

Para quem se identificou, vale a pena sair da caixa, experimentar as decepções, os atos ridículos, as limitações e aventuras reais - fora do padrão, condição necessária à descoberta de si mesmo.
Talvez, assim, possa chegar à mesma conclusão de Buzz, que ao aceitar que era menor do que pensava descobriu que era mais importante do que jamais poderia imaginar.

OLHO
"Sua existência não tem
a relevância que imagina"

 

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