ANO: 25 | Nº: 6353

José Artur Maruri

josearturmaruri@hotmail.com
Colaborador da União Espírita Bajeense bagespirita.blogspot.com.br
17/08/2019 José Artur Maruri (Opinião)

A educação moral e a corrupção

Por ocasião do Dia do Advogado, na última coluna nos dedicamos a apresentar um dos vários elos que unem o direito e o espiritismo: a defesa da vida.
Nessa linha, já que ainda estamos atravessando o mês de agosto, reservado às celebrações em torno da advocacia, se torna oportuno apresentar nova conexão entre o direito e o espiritismo, a favor da vida, agora no que diz respeito à educação moral e a corrupção.
O presidente da Federação Espírita do Rio Grande do Sul, o advogado Gabriel Salum, na obra Fé na Vida, editada pela mesma Federação, refere que "a conduta capaz de nos trazer equilíbrio individual e coletivo está calcada na ética, indissociável da fraternidade e da solidariedade".
Portanto, "toda ação que desconsidere as necessidades das pessoas com quem convivemos (...) constituirá causa de desarmonia e conflito em alguma instância".
O companheiro de trabalho na seara espírita e profissional faz clara alusão aos desajustes decorrentes de escolhas equivocadas como a corrupção, por exemplo. As más escolhas, geradoras da tão afamada crise que, desavisadamente, reputamos ao trabalho, à política ou à economia, é esclarecida pelas luzes da Doutrina Espírita, especificamente, na questão 685 de "O Livro dos Espíritos": "(...) Não basta se diga ao homem que lhe corre o dever de trabalhar. É preciso que aquele que tem de prover à sua existência por meio do trabalho encontre em que se ocupar, o que nem sempre acontece. Quando se generaliza, a suspensão do trabalho assume as proporções de um flagelo, qual a miséria. A ciência econômica procura remédio para isso no equilíbrio entre a produção e o consumo. Mas, esse equilíbrio, dado seja possível estabelecer-se, sofrerá sempre intermitências, durante as quais não deixa o trabalhador de ter que viver. Há um elemento, que se não costuma fazer pesar na balança e sem o qual a ciência econômica não passa de simples teoria. Esse elemento é a educação, não a educação intelectual, mas a educação moral. Não nos referimos, porém, à educação moral pelos livros e sim à que consiste na arte de formar os caracteres, à que incute hábitos, porquanto a educação é o conjunto dos hábitos adquiridos".
Não pairam dúvidas, segundo Salum, de que "é justamente a educação (intelectual e moral), ou a falta dela, que está na base da crise íntima e social que experimentamos. A desdita das comunidades humanas advém dos hábitos da trapaça, da traição, da mentira, da sexolatria, da ingestão de bebidas alcoólicas (em todos os níveis de consumo), da exploração do trabalho, do abuso do dinheiro, da indiferença ante os valores de espiritualidade e de tudo mais que decorre do egoísmo e do orgulho".
Diante disso, como o próprio conceito de corrupção se define por deterioração, desvio de propósitos, degradação moral, inevitavelmente há uma relação direta entre a conduta corrupta e a crise que, segundo Salum, tem causas éticas e consequências políticas, econômicas e sociais.
O Espiritismo, brilhantemente, retira do mundo exterior a culpa pelas causas de infelicidade que, às vezes, abrigamos, desviando a atenção para as nossas próprias imperfeições e o consequente modo de vermos e vivermos a vida.
É imperativo que apliquemos a lição de "O Evangelho Segundo o Espiritismo", Capítulo V, item 14: "(...) a calma e a resignação hauridas da maneira de considerar a vida terrestre e da confiança no futuro dão ao Espírito uma serenidade que é o melhor preservativo contra a loucura e o suicídio".
Então, diante da corrupção e da crise, sigamos em busca da educação moral, do autoconhecimento, com confiança no futuro.

(Referência: Carlos Eduardo Accioly Durgante. Fé na vida. 1ª Ed – Porto Alegre: Francisco Spinelli, 2017. p. 149-161)

José Artur M. Maruri dos Santos
Trabalhador da União Espírita Bajeense
Comente: josearturmaruri@hotmail.com

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