ANO: 25 | Nº: 6334

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
17/08/2019 Airton Gusmão (Opinião)

O sentido e o valor da vida humana

“O dogma da Assunção, a subida ao céu, em corpo e alma, de uma pessoa humana, Maria, a mãe de Jesus, proclamada por Pio XII, em 1950, era a exaltação específica dos ideais de que Madre Teresa queria alcançar com sua nova vida. Maria, elevada aos céus com seu corpo, era a demonstração de quão importante era o corpo para o cristão. O corpo é o templo do Espírito Santo. Ressuscitará glorioso. Jesus, com a sua paixão e morte, redimiu as pessoas. Ela preparava-se para servir aqueles que nada valiam, que nada tinham, cujos corpos desfigurados escondia-se Jesus” (Teresa dos pobres; Renzo Allegri, Paulinas).
No Evangelho de Lucas, Maria é “bem-aventurada” por causa da maternidade (Lc 1,42; 11,27), por acreditar na Palavra de Deus e praticá-la (Lc 1,45; 11,28) e por fazer experiência e participar da instauração do Reinado iniciado com Jesus (Lc 6,20-23).
É importante recordar que na solenidade da Assunção de Maria, ouvimos o evangelho que relata a visita às pressas de Maria a sua prima Isabel, o diálogo entre as duas mães e o bonito hino do Magnificat que reza pela boca de Nossa Senhora: “A minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor (...) Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração. Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes” (Lc 1,39-56).
A Assunção de Maria deve ser compreendida em relação à ressurreição de Jesus. Ele abre o caminho da vida nova após a morte. Na ressurreição de Cristo foi antecipada, em sua pessoa, a futura ressurreição dos mortos. Na assunção de Maria, corporalmente ressuscitada com Cristo, antecipa-se a ressurreição dos mortos.
Diante do testemunho de Madre Teresa de Calcutá, que encontrava e servia ao Cristo nos corpos desfigurados, e também do dado da ONU que diz que no mundo, incluindo o Brasil, 820 milhões de pessoas passam fome; é importante termos presente que a Assunção de Maria é a valorização da história e do corpo dentro da experiência cristã. O corpo de Maria não ficou na fuga da realidade em uma atitude de contemplação estática, desencarnada, mas foi às pressas sujar suas mãos com o trabalho doméstico na casa de Isabel.
Assim, a assunção de Maria confirma o sentido e o valor a vida humana, pois este dogma proclama a dignidade do corpo humano. E por isso, vale citar aqui a missão da Igreja e de todos os cristãos, na palavra do Papa Francisco: “Com obras e gestos, a comunidade missionária entra na vida diária dos outros, encurta as distâncias, abaixa-se, se for necessário, até à humilhação e assume a vida humana, tocando a carne sofredora de Cristo no povo” (A Alegria do Evangelho, nº 24).
A Virgem Maria viveu totalmente na fidelidade a Deus, ela foi o que nós não somos e já é o que nós seremos. A assunção de Maria apresenta uma nova luz sobre o morrer. Viver não é caminhar para um fim definitivo, mas um peregrinar de quem está buscando a fonte da vida eterna. A vida é o tempo de fazer essa travessia rumo à pátria definitiva. O dogma da assunção revela, assim, que é preciso cuidar da vida.
Neste 3º domingo do mês vocacional, na solenidade da Assunção de Maria, celebramos o Dia dos Religiosos e Religiosas, homens e mulheres que consagraram radicalmente suas vidas pela causa do Reino de Deus, para amar e servir a todos, especialmente os corpos desfigurados de hoje pelos “dragões” que ameaçam a vida dos pequenos e pobres. Agradecemos a vida e o testemunho dos religiosos e religiosas que atuam em nossa Diocese, e que eles e elas possam ter Maria como modelo de discípula, de seguimento no amor a Deus e serviço ao próximo.
Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

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