ANO: 25 | Nº: 6334

Rochele Barbosa

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Jornalista formada pela Universidade da Região da Campanha. Responsável pela produção e reportagem do caderno de Saúde do Jornal MINUANO
19/08/2019 Caderno Minuano Saúde

Bagé receberá palestra sobre estratégias para evitar transfusões de sangue

Foto: Divulgação

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Quatro médicos e um advogado palestram sobre técnicas que evitam que uma transfusão seja necessária, na próxima sexta-feira, dia 23, a partir das 19h, no auditório do Hotel Obino, em Bagé.

O evento médico e científico “Estratégias Clínicas e Cirúrgicas que Reduzem Transfusões de Sangue” visa debater a utilização de técnicas que evitam que uma transfusão seja necessária, uma vez que a popularização delas pretende diminuir a grande demanda de sangue nos hospitais brasileiros.

Nesta edição, iremos mostrar a programação do evento e como funciona essa nova técnica.

 

Nova estratégia

No Brasil, as transfusões aumentam 1% ao ano, enquanto as doações crescem cerca de 0,5%. Há uma estimativa de que, em 2030, haverá um déficit de um milhão de bolsas coletadas. Segundo os médicos Gustavo Sisson e Wagner Homero, para fazer essas contas fecharem, o País precisa parar de desperdiçar sangue.

E, para isso, existem três princípios: tratar toda e qualquer anemia que o paciente tenha; evitar ou minimizar toda e qualquer perda de sangue durante as cirurgias, cauterizando vasinhos rompidos; saber se o paciente tolera anemia, pois, muitas vezes, mesmo com a hemoglobina baixa, o paciente continua bem.

“Um artigo publicado, recentemente, pelo doutor Gavin J. Murphy, na revista Circulation, por exemplo, mostra que pacientes que receberam transfusões de sangue demoravam mais tempo para ter alta dos hospitais, tiveram índices mais altos de mortalidade e estavam mais suscetíveis a infecções e doenças pós-operatórias isquêmicas. Também temos observado isso nos hospitais aqui, no Brasil”, ressaltou o ginecologista Wagner Homero.

Ainda segundo Homero, algumas alternativas à transfusão podem ser adotadas, como:

 

– Máquinas capazes de reaproveitar o sangue do próprio paciente, evitando perdas desnecessárias e ainda trazendo o benefício de devolver sangue com o próprio DNA do paciente, evitando assim reações imunológicas e inflamatórias;

 

– Evitar coletas excessivas de sangue, por exemplo, um paciente internado na UTI, às vezes, chega a realizar três coletas de sangue por dia, se cada coleta retira de três a 10 ml. Em menos de 10 dias, ele precisará de uma transfusão;

 

– Medicamentos de uso endovenoso e tópicos para parar sangramento, que auxiliam no combate a uma possível hemorragia, que poderia demandar uma transfusão;

 

– Estudos comprovam que as pessoas têm resistência à anemia, mas, infelizmente, alguns médicos ainda não têm esse conhecimento. Nesses casos, a transfusão pode ser evitada;

 

– Técnicas cirúrgicas como a hemostasia meticulosa e a anestesia hipotensiva permitem que o paciente fique com a pressão um pouco mais baixa, o que vai resultar em uma menor perda de sangue.

 

Programação

A abertura do evento será realizada pelos médicos Jorge Kaé Filho e Marcelo Tonel Kober.

O médico ginecologista e cirurgião geral Gustavo Sisson (Hospital Moinhos de Vento), que conta com mais de 30 anos de experiência em medicina não transfusional, abordará o tema: "Tratamento sem sangue em lugares com poucos recursos". Nesta aula, o nobre doutor Sisson apresenta uma aula sobre as diversas opções e alternativas às transfusões de sangue.

Logo em seguida, o obstetra Wagner Homero (Hospital Mãe de Deus), que conta com 10 anos de experiência em medicina não transfusional, apresenta o tema: “Manejo do Sangue em Trauma e Emergência". Nessa palestra, será apresentada a estrategia clínica PBM, onde se consegue reduzir custos hospitalares, dar alta hospitalar mais cedo e, o mais importante, melhorar o desfecho clínico do paciente.

Posteriormente, o representante da COLIH (Comissão de Ligação com os Hospitais), Urbano Machado abordará o tema: "O papel da Colih no Apoio à Relação Médico Paciente". Nesta breve apresentação, o palestrante citará como a Colih pode ajudar em cooperar com a equipe médica por meio de sua atuação internacional em mais de 200 países.

No final, haverá uma interessante sessão de perguntas e repostas com o advogado especialista nessas questões, Cristian Lima.

O evento é gratuito e destinado a profissionais da área da saúde e do direito. As inscrições podem ser feitas no local.

 

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