ANO: 25 | Nº: 6400

William G. de M. Rodrigues

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19/08/2019 William G. de M. Rodrigues (Opinião)

Ser historiador

A palavra historiador nos remete, normalmente, a imaginação de um homem idoso, barbudo, cabelos brancos, óculos fundo, sentado atrás de uma mesa de madeira com uma pilha de documentos à sua direita e inúmeros livros velhos à sua esquerda atuando como guardião da sabedoria no que diz respeito a datas e fatos que jamais serão questionados.
Se concordas com a imagem acima já lhe aviso: seu pensamento está ultrapassado...
A profissão de historiador, regulamentada no Brasil, iniciou com a PL 368/2009 e terminou na PL 4699/2012, foi um passo fundamental no reconhecimento da profissão que contém abrangência em diversas áreas de estudo e funções no mercado de trabalho. O texto do Senador Paulo Paim pontua que o exercício de historiador é privativo dos diplomas em cursos de graduação, mestrado ou doutorado na área de História.
A Lei prevê, também, que profissionais diplomados em outras áreas que tenham exercido, comprovadamente, há mais de cinco anos a profissão de historiador (a partir da data de promulgação da Lei), também sejam contemplados com tal titulação.
Portanto, no competitivo mercado de trabalho este profissional possui condições de assessorar, organizar, implantar e dirigir serviços de documentação e informação histórica; planejar, organizar, implantar e dirigir serviços de pesquisa histórica; elaborar pareceres, relatórios, planos, projetos, laudos e trabalhos sobre temas históricos.
Mas afinal, historiador é apenas ser pesquisador?
Nada disso. A profissão permite atuar como professor no ensino básico e superior, desde que seja Licenciado conforme prevê a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Além disso, diversas vezes nos deparamos com o desafio de ministrar aulas de sociologia e filosofia na educação básica e antropologia no ensino superior.
Vale ressaltar o respeito pelos profissionais acima citados, todavia é de conhecimento púbico que a falta destes profissionais na educaçãovem sendo realidade, e, em todo curso de História lidamos com as chamadas "ciências auxiliares da História": Arqueologia, Sociologia, Numismática, Psicologia, Filosofia e outras.
Há limites para o campo de atuação do historiador?
Negativo. Após a PL passar pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS); de Constituição e Justiça (CCJ); e de Educação, Cultura e Esporte (CE), o projeto recebeu emenda do Senador Álvaro Dias, em Plenário retirando do texto original a referência aos locais onde o historiador poderia atuar.
Neste dia 19 de agosto, comemora-se o Dia do Historiador, escolhida em homenagem à data de nascimento do escritor e diplomata Joaquim Nabuco (1849-1910), fica a homenagem a todos os profissionais que se dedicam aos desafios diários do ensino e da não valorização do professor; aos pesquisadores que se debruçam nas mais diversas fontes históricas buscando a gênese dos fatos para melhor explicitar suas considerações; aos inúmeros profissionais que se dedicam a preservação do patrimônio material e imaterial, todos com a única finalidade de assumir o compromisso com a verdade e a ética em sua profissão.

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