ANO: 25 | Nº: 6335

João L. Roschildt

joaoroschildt.jornalminuano@outlook.com
Advogado e professor do curso de Direito da Urcamp
22/08/2019 João L. Roschildt (Opinião)

Os resistentes

Não restam dúvidas que a mentira é uma característica onipresente na humanidade. Seu desenvolvimento está no uso das capacidades cognitivas, que possibilitam a formação de racionalizações para determinadas finalidades. Assim, um inadequado uso da “razão” pode construir versões fantasiosas da realidade, negação de fatos ou variadas dissimulações.

Mesmo que seja bastante difícil conhecer alguém que nunca tenha mentido, existem contextos que tendem a reprimir explicitamente a mentira. Por exemplo, não se esperam embustes de padres, professores ou de pais (na relação com seus filhos) em razão da natureza moral das atividades que os vinculam. Quando o inverso ocorre, são destruídos os laços civilizatórios, que auxiliaram a construção de nossas sociedades.

No início deste mês, em texto publicado no Jornal da Cidade Online (08/08/2019), o professor Carlos Adriano Ferraz, vinculado ao curso de Filosofia da UFPel, denunciou que estudantes daquela instituição estariam cogitando atos que pudessem colocar em risco a vida do presidente Jair Bolsonaro em sua visita à cidade de Pelotas (ocorrida no dia 12/08/2019). Em seu artigo, além de apontar inúmeros elementos sobre como há um disfuncionalidade mental no comportamento político de uma esquerda reacionária, foram anexados os prints de um grupo do Facebook denominado “UFPEL”, que comprovaram as ameaças explícitas ao atual presidente da República.

No material, é possível ler afirmações leves: “Tem que cuspi na cara dele”; “ovo e tomate é pouco, saco com merda é melhor”; e “óleo de peixe gurizada”. O apelo para birras infantojuvenis é o que resta diante da ausência de argumentos. Mas é óbvio que, caso o presidente não tenha alergia grave a algo indicado (pelo menos não ao cuspe de Jean Wyllys), essas não seriam declarações que poderiam fazer temer pela sua vida. Todavia, eis o teor de outras mensagens: “Alguém se voluntaria aí pra dar uma facada direito”; "tinha era que ter um atirador de elite e metralhar essa praga de homem”; “o Bolsonaro não aguenta uma facada de verdade”; “Adélio Bispo presente”; e “coquetel molotov resolve rapidinho”. É necessário dizer algo?

Somente sádicos, hipócritas ou malucos poderiam negar essas provas. Pois eis que alguns que “estudam” os meandros do uso da razão e que deveriam estar imersos na busca pela verdade, resolveram entrar pela porta dos fundos da história. O Centro Acadêmico da Filosofia (CAFil) da UFPel publicou “uma nota de resistência e luta” em que declara explicitamente que o professor em questão proferiu “falácias mentirosas” (?), afinal, “não há e não houve sequer um planejamento de qualquer tipo de tentativa de atentar contra a vida” de Bolsonaro, além de dizer que foi feita uma “acusação irresponsável” e de cobrarem esclarecimentos institucionais sobre o posicionamento do professor.

É bem verdade que mentirosos estão em todos os cantos. Mas também é verdadeiro que algumas ideologias são mais mentirosas que outras. Principalmente as que prometem utopias e Paraísos na Terra. A constância em deturpar fatos, negar as evidências e criar narrativas para defender interesses político-partidários, é parte inerente aos esquerdopatas: está em sua pele e alma. São indissociáveis. São parasitas parasitados por ideologias que parasitam o espaço público. E são bastante resistentes.

Deixe seu comentário abaixo

Outras edições

Carregando...