ANO: 25 | Nº: 6400

Airton Gusmão

redacaominuano@gmail.com
Pároco da Catedral
24/08/2019 Airton Gusmão (Opinião)

É fundamental recorrer às origens do Cristianismo

Neste último domingo do mês de agosto celebramos o Dia dos Catequistas. Sob o Tema: “Discípulos Missionários a serviço da Palavra de Deus”, estará acontecendo, em Pinheiro Machado, Paróquia Nossa Senhora da Luz, a 9ª Jornada Bíblico-Catequética da Diocese de Bagé.
Vivemos hoje aquilo que se chama de “mudança de época”, com um cenário marcado por luzes e sombras: a emancipação do sujeito, a pluralidade, o avanço de novas tecnologias que permitem cuidar melhor da vida; o desafio da globalização, do secularismo, do relativismo, da liquidez, do indiferentismo. É neste contexto de rápidas e profundas transformações, com forte crise ética, com a relativização do sentido de pecado, que a Igreja tem a missão da transmissão integral da fé, com todas as suas consequências.
A Igreja nos diz que a “pluralidade cultural, ética e religiosa, permite a pessoa exercer o dom da liberdade e escolher em meio a múltiplas variáveis. Também, por outro lado, diante de cada pessoa, são colocadas possibilidades de escolha que não conduzem à vida, mas ao sofrimento e à morte; permitindo assim, ao indivíduo, tornar-se ele mesmo, critério absoluto para a escolha de um caminho religioso; o que nos obriga a questionar se se trata de efetiva abertura ao mistério de Deus; levando inclusive à algumas interpretações da Palavra de Deus, as quais tornam-se fontes de posturas (Lc 9,53-55) que o próprio Jesus desabonou” (Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2019-2023; Documentos da CNBB 109, nº 27, 54 e 55).
Como ser cristão e Igreja neste contexto de mudança de época, com suas luzes e sombras? Como ser discípulo missionário de Jesus Cristo? Como acolher o convite do Senhor que nos diz: “Fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita” (Lc 13,24)? Durante muito tempo a Igreja apoiou-se sobre a convicção de que se movia dentro de espaços culturais já moldados pelo cristianismo. Neste novo contexto em que vivemos, a opção religiosa é uma escolha pessoal. Já não é mais uma tradição herdada desde o núcleo familiar, apoiadas por sólidas instituições cristãs. Não podemos dar as respostas antes de ter escutado as perguntas que desafiam o ser cristão e ser Igreja.
Com relação aos interlocutores da missão, a Igreja nos diz que todos são interpelados pelo Evangelho e que, do ponto de vista da experiência da fé, temos hoje três âmbitos: os que frequentam regularmente a comunidade eclesial e os que conservam a fé católica, mesmo sem participar assiduamente; os que foram batizados, porém, não vivem mais de acordo com sua fé; e os que não conhecem Jesus Cristo ou que o recusaram. Todos podem ser envolvidos na nova evangelização. Por isso, dizem os nossos bispos, que é fundamental recorrer às origens do cristianismo, período em que o processo de inculturação permitiu que o Evangelho chegasse a tantas culturas diferentes (Documentos da CNBB 109, nº 37-38).
Diante deste contexto e, considerando o que dizia Tertuliano, de que “os cristãos se fazem, não nascem”, a Igreja fala e assume em sua ação evangelizadora a iniciação cristã, como uma exigência da missão, para formar, não adeptos, mas cristãos firmes e conscientes; nestes novos tempos em que a opção religiosa é uma escolha e não simplesmente tradição e imersão cultural. Não se trata de uma supérflua introdução na fé, um verniz ou um cursinho de admissão à Igreja, nem de ‘aprender coisas’, mas trata-se de adesão consciente a um projeto de vida. Jesus convida a nos encontrar com Ele, porque é a fonte da Vida (Jo 15,15), e só Ele tem palavras de vida eterna (Jo 6,68).
Nossa gratidão e prece a todos catequistas. Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

Deixe seu comentário abaixo

Mais notícias da edição

Outras edições

Carregando...