ANO: 25 | Nº: 6334

Marcelo Teixeira

marceloct@ymail.com
Advogado e professor universitário - Urcamp
24/08/2019 Marcelo Teixeira (Opinião)

O lado bom da fase ruim

Falar mal da velhice é muito fácil, tanto que já fiz isso incontáveis vezes em diferentes oportunidades e das mais variadas formas e meios, inclusive neste espaço aqui, no MINUANO. E a tendência é que isso piore no futuro, por razões óbvias.
Maldizer a velhice é algo tão natural e inevitável quanto o próprio envelhecer e, neste contexto, aquelas tentativas de suavizar as agruras da velhice com expressões do tipo “Melhor Idade”, são detestáveis. Falar isso para quem enfrenta uma inescapável decadência física e psíquica, muitas vezes, soa mais como deboche do que como uma tentativa de levantar o astral daqueles que, a cada dia que passa, tem mais passado do que futuro.
Eventualmente, todavia, a gente vê algo bom nessa fase da vida tão pródiga em coisas ruins e más notícias. Dia desses recebi um vídeo de um poema de Odilon Ramos denominado de “Reflexão do Homem Maduro”. Na verdade o nome deveria ser Reflexão do Homem Gaúcho, Casado e Maduro, mas como essa condição ainda é bastante comum aqui no nosso meio, estes acréscimos ao título se tornam desnecessários.
Bem no início do poema, após o relato de uma circunstância em que o vivente se apercebe de seu envelhecimento, o poeta diz: “Não é o fim! É um recomeço em que o tempo é moeda nobre.” Traduzindo, a vida, assim como um vídeo game, apresenta diferentes mudanças de fase e o envelhecer seria a fase final, onde o aproveitamento do tempo pontua mais do que a quantidade de vitórias e conquistas da fase anterior.
Isso faz lembrar da frase que ouvi da boca do cantor Sidney Magal que diz: “Até os 40 a gente acelera para viver. Depois dos 40 a gente começa a frear para não morrer.” Ou seja, mais importante que a velocidade é a qualidade e intensidade das experiências.
Completa o poeta dizendo que o tempo nos torna mais reflexivos, menos apressados, mais calmos e jeitosos, menos vaidosos e valentes, enfim, vamos ganhando virtudes comportamentais à medida que vamos perdendo as virtudes físicas e hormonais.
Em determinado momento o poema faz um paralelo entre o amadurecimento das pessoas e das frutas: “É lindo amadurecer, como a fruta amadurece, pois, como a fruta, parece que a gente fica mais doce...”. Ainda que não seja uma regra geral, esta analogia foi muito criativa e interessante, apontando para o encerramento onde fica claro que talvez a maior virtude da velhice seja a gratidão, pois lá no fim da vida: “... abraçado na patroa, parceira nesta aventura, bendiz a idade madura, ala pucha... que vida boa!”

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