ANO: 25 | Nº: 6334

Marcelo Teixeira

marceloct@ymail.com
Advogado e professor universitário - Urcamp
31/08/2019 Marcelo Teixeira (Opinião)

Setembrou

Aprendi com o meu pai a desgostar de agosto. E a metodologia que ele usava era de enfatizar as notícias ruins, mortes, tragédias ocorridas no mês do desgosto, que tem esta fama desde o primeiro século depois de Cristo. O início da primeira guerra mundial, a ascensão de Hitler na Alemanha, o suicídio de Getúlio Vargas, a morte de Juscelino Kubitscheck e as bombas jogadas sobre Hiroshima e Nagasaki reforçaram ainda mais a fama deste mês que também é conhecido como mês do cachorro louco.
Aprendi com o meu pai, também, a não comemorar o fim de agosto antes da hora, pois, como dizem os cronistas esportivos, o jogo só termina quando acaba. Assim, enquanto não entrar setembro, nada de comemorações! Como setembro só chega domingo e este artigo foi escrito e publicado em agosto, estaria arriscando muito em elogiar o agosto deste ano que, segundo as redes sociais, ao contrário dos anos anteriores, estaria passando muito rápido. De fato esta sensação não é muito comum e seria um efeito colateral da má fama do mês batizado em homenagem ao imperador romano César Augusto, ou seja, o mês é tão ruim e cheio de acontecimentos negativos que temos a sensação de que ele não termina nunca. Além de marcar o fim das férias escolares de inverno, são intermináveis trinta e um dias sem nenhum feriado.
Para completar, agosto virou até uma espécie de ícone da velhice, servindo como uma metáfora do fim da vida. Ainda que seja apenas um dos meses de inverno, ele acaba carregando quase que com exclusividade a fama da estação que simboliza o fim de um ciclo de vida de muitas plantas.
Em lado oposto, quando a gente quer celebrar a vida comemorando algum aniversário, perguntamos quantas primaveras a pessoa está completando. Assim, como não gostar de setembro, o mês da primavera? Ainda que mais da metade de setembro seja de inverno, ele marca a entrada da primavera, o mês em que as noites começam a ficar menores, o sol fica mais tempo no céu, as temperaturas começam a subir e tudo isso começa a mexer até com os nossos instintos. As flores voltam a brotar, dois feriados, mas celebrados em duas semanas: a da pátria e a farroupilha. Enfim, depois de um longo mês gelado, cinzento e mal-afamado, um mês mais curto, mais quente, colorido, cheio de paradinhas, festividades, celebrações, perspectivas positivas etc, é quase uma covardia contra o mês do desgosto.
Mal comparando, é como a relação entre o domingo e a segunda-feira. Como eu sempre digo, a segunda-feira só é odiosa por causa da localização. Após um fim de semana, que quebra o nosso ritmo, a segunda marca o reinício da normalidade, exigindo um esforço físico e mental tão necessário quanto indesejável. Da mesma forma, o que prejudica o agosto é sua localização entre o mês das férias escolares e o mês da primavera. Neste contexto, fica muito mais difícil conseguir ser um pouco menos antipático.
De qualquer forma, domingo é dia de celebrar, não tanto pela chegada do mês da primavera, mas sim por ter sobrevivido a mais um agosto. Feliz setembro para todos nós!

Deixe seu comentário abaixo

Mais notícias da edição

Outras edições

Carregando...