ANO: 25 | Nº: 6335

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
07/09/2019 Airton Gusmão (Opinião)

Deus oferece a criação ao homem como dom a ser guardado


"Que tipo de mundo queremos deixar a quem vai suceder-nos, às crianças que estão crescendo? Quando nos interrogamos acerca do mundo que queremos deixar, referimo-nos sobretudo à sua orientação geral, ao seu sentido, aos seus valores. Já não basta dizer que devemos preocupar-nos com as gerações futuras; exige-se ter consciência de que é a nossa própria dignidade que está em jogo. Somos nós os primeiros interessados em deixar um planeta habitável para a humanidade que nos vai suceder" (Laudato Si: sobre o cuidado da casa comum; Papa Francisco, nº 160).
No dia 5 celebramos o dia da Amazônia e estamos no mês que antecede o Sínodo para a Amazônia, que se realizará em Roma, refletindo sobre o tema: Novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral. No final de agosto, aconteceu em Belém um encontro de estudo do Instrumento de Trabalho do Sínodo da Amazônia, com a participação de bispos, padres, religiosas e religiosos, leigas e leigos das Igrejas amazônicas, do qual foi publicado uma mensagem final.
No dia 1º de setembro foi divulgada a mensagem do Papa Francisco sobre o Dia Mundial de Oração pelo cuidado da Criação, que se estenderá até 04 de outubro, memória de São Francisco de Assis. Trazemos presente alguns trechos desta mensagem:
A mensagem começa falando sobre a criação: "Deus viu que era coisa boa (Gn 1,25). Desde a terra habitável até às águas que sustentam a vida, desde as árvores que dão fruto até aos animais que povoam a casa comum, tudo é benquisto aos olhos de Deus, que oferece a criação ao homem como dom precioso que deve guardar".
Diante da obra criadora de Deus de forma gratuita e benfazeja, o ser humano pensou e agiu contrário ao plano divino: "Desgraçadamente, a resposta humana ao dom recebido foi marcada pelo pecado, pelo fechamento na própria autonomia, pela avidez de possuir e explorar. Egoísmos e interesses fizeram desse lugar de encontro e partilha, que é a criação, um palco de rivalidades e confrontos. Na raiz de tudo, o fato de termos esquecido quem somos: criaturas à imagem de Deus (Gn 1,26-27), chamados a habitar como irmãos e irmãs a mesma casa comum".
Porém, ainda há esperança, existe a possibilidade de retomarmos a nossa vocação original. O Papa afirma, lembrando São Boaventura "que a criação é o primeiro 'livro' que Deus abriu diante de nossos olhos, para que, admirando a sua ordenada e maravilhosa variedade, fôssemos levados a amar e louvar o Criador; e que neste livro, cada criatura foi-nos dada como uma 'palavra de Deus'".
Diz ainda que contemplando a obra criadora, "no silêncio e na oração, podemos escutar a voz sinfônica da criação, que nos exorta a sair dos nossos fechamentos autorreferenciais, descobrindo-nos envolvidos pela ternura do Pai e felizes por partilhar os dons recebidos. Podemos dizer que a criação, rede da vida, lugar de encontro com o Senhor e entre nós, é a rede social de Deus".
Como compromissos, a mensagem do Papa afirma que "é tempo para refletir sobre os nossos estilos de vida, verificando como muitas vezes são levianas e danosas as nossa decisões diárias em termos de comida, consumo, deslocação, utilização da água, da energia e de muitos bens materiais. Optemos por mudar, assumir estilos de vida mais simples e respeitadores. E não esqueçamos de ouvir as populações indígenas, cuja sabedoria secular nos pode ensinar a viver melhor a relação com o meio ambiente. Digamos não à avidez de consumos e aos delírios de onipotência, caminhos de morte; tomemos percursos clarividentes, feitos de renúncias responsáveis hoje para garantir perspectivas de vida amanhã. Não cedamos às lógicas perversas dos lucros fáceis; pensemos no futuro de todos"
E conclui a mensagem nos fazendo o seguinte convite: "Sintamo-nos implicados e responsáveis por tomar a peito, com a oração e o compromisso, o cuidado da criação. Deus, amante da vida (Sb 11,26), nos dê a coragem de realizar o bem, sem esperar que sejam outros a começar, sem esperar que seja demasiado tarde".
Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

 

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