ANO: 25 | Nº: 6330
10/09/2019 Campo e Negócios

Boas expectativas de mercado motivam produtores a cultivar cevada em Bagé

Foto: Reprodução JM

Osvaldo Frick cultiva plantação em 50 hectares, projetando primeira colheita para novembro
Osvaldo Frick cultiva plantação em 50 hectares, projetando primeira colheita para novembro
por Nadine Posqui
Acadêmica de Jornalismo da Urcamp


A cidade de Bagé, que atualmente é reconhecida muito além de como a Rainha da Fronteira, mas, também, pelo Festival de Cervejas da Campanha, que acontece todos os anos, inclusive no próximo final de semana, agora vislumbra a possibilidade de expansão, em seus campos, da produção de uma das matérias-primas necessárias para esta fabricação: a cevada.
Após a unidade de Bagé da Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa) ter sido adquirida pela Pradozem Comércio, Serviços e Transporte, de Passo Fundo, alguns produtores do município, atentos ao anúncio de que a empresa buscaria atuar no estímulo a produção de cevada, tendo em vista a relação já estabelecida com a Ambev, gigante nacional do setor, iniciaram seus cultivos. É o caso de Osvaldo Frick, que resolveu agregar a nova cultura em seus 450 hectares até então destinados à soja.
Para esse primeiro ano, Frick iniciou o plantio em 50 hectares, com previsão de colheita para novembro. A expectativa é que tal safra renda em torno de 50 sacas a cada hectare. De acordo com a Cooperativa Agroindustrial C-Vale, cada saca de 60kg vale em torno de R$ 55,00. Para o ano que vem, porém, o produtor já pretende aumentar sua produção, passando de 50 hectares de cevada para 150, pois a meta de venda é maior. Segundo ele, a negociação toda é feita com a Ambev. A plantação é desenvolvida com o compromisso de vender para a empresa, com preço definido, ou seja, o produtor já planta com noção de quanto irá receber. E a entrega das primeiras sacas de cevada serão feitas em novembro, com o dinheiro sendo recebido em janeiro.
Além disso, diz ele, outras empresas estão interessadas em investir na região, que ficou conhecida por produzir uma cevada de maior qualidade, em função do frio intenso. "A cevada é como qualquer planta, basta ter cuidado. Porém, o frio daqui ajuda muito, o que interessou as empresas que adquirem aqui", enfatiza o produtor. Diferente da soja, por exemplo, que necessita da chuva para se desenvolver, a plantação de cevada exige apenas o frio intenso e o cuidado com fungicidas, diz ele.

Articulação buscará instalação de maltaria
No dia 30 de agosto, o secretário do Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, Bayard Paschoa Pereira, recebeu o diretor-presidente da empresa Antonio Zanon Sobrinho, e o diretor de Operações, Gilberto Luiz Dalla Rosa, para tratar sobre o início das atividades, que estão previstas para o mês de outubro. Na oportunidade, o secretário destacou que o momento vivido pelo município é "bom", já que mais um investimento chega à Rainha da Fronteira, e que a parceria da Pradozem com a Cervejaria Ambev, deverá gerar importantes resultados a Bagé.
De acordo com o diretor-presidente, na ocasião, a unidade apresenta capacidade atual para 20 mil toneladas de grãos. Além disso, adiantou que faz parte do projeto de expansão da empresa ampliar substancialmente a capacidade, tendo em vista que existe área física para sua expansão e potencial na região.
O local, segundo anunciado, armazenará não somente soja, trigo e milho, mas também cevada.
Ontem, em conversa com a reportagem, Bayard revelou que além a atuação da Pradozem, tratada como fundamental para a implementação dos negócios do ramo, outra estratégia vem sendo debatida nos bastidores. Conforme ele, a Ambev estaria projetando a construção de uma nova maltaria em território nacional. "E isso na Metade Sul", comentou ao adiantar que, perante tal possibilidade, o Executivo busca atrair tal investimento para Bagé. "Óbvio que nem tudo que se quer se tem. Mas vamos, com ceeteza, atrás deste objetivo. Um dos nossos estímulos seria oferecer uma área do Distrito Industrial, a partir da municipalização daquele espaço. Penso que uma maltaria, na cidade, não estimularia apenas a expansão do cultivo da cevada, mas, também, a própria produção de cerveja artesanal, que já vem crescendo, tendo em vista que teríamos um produto final, a cevada maltada, à disposição dos cervejeiros daqui", argumentou. E completa: "Vamos atrás. Pretendo agendar uma reunião com a Ambev para tratarmos disso. É o nosso papel buscar esta viabilidade".

Situação atual
De acordo com o gerente regional da Emater de Bagé, Eloí Pozzer, o grande desafios da não evolução da cultura da cevada em Bagé, pelo menos até hoje, é o preço do produto, já que, segundo ele, na maioria das vezes 'é alto'. "O que dificulta a venda e, consequentemente, não proporciona lucro suficiente aos produtores comparada a soja e ao arroz", mencionou.
Para o proprietário da cervejaria bajeense Mão Preta, Tiago Trojan, o Brasil visto como produtor de grãos é algo extremamente interessante para a diversificação do cultivo da cevada na na região. Atualmente, a cervejaria adquire o malte da cevada de empresas originárias de países como Bélgica e Patagônia, pois, como ele mesmo destaca, no Brasil, existem poucas maltarias.

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