ANO: 25 | Nº: 6382

Fernando Risch

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Escritor
13/09/2019 Fernando Risch (Opinião)

Não há nada acontecendo

Está tudo muito bem. Não há motivo para pânico. Não há nada acontecendo. É só uma frase solta, fora de contexto, um deslize pequenino, um ato falho fraquejado. Afinal de contas, quem, num estratagema engenhoso para golpear a si mesmo (ou o próprio pai), anuncia, publicamente, que vai romper com a democracia?

Tudo bem, ele, aquele lá, não disse nada. Quem disse foi o filho, aquele com seis acres cúbicos de cabeça, que administra as contas do todo-poderoso. Desmentiu-se depois, com uma emenda pior que o arranjo. A frase segue lá, viva, pública, para quem quiser ler. Do pai, não se ouviu nada. Só o rebimbar de um monitor cardíaco.

Mas a pergunta se repete: quem anuncia coisa tão vil, pútrida, tendo a intenção de fazê-la? Os golpes são forjados às escuras, em porões suarentos ou salas de conferências de partidos aliados, assim você me diria. Caia na real, implico. Estamos em 2019, não existe mais esse tipo de coisa. É a era das redes sociais, dos digitais influencers, dos youtubers e dos soft coup d'état. No caso, um self-coup.

Nesta era ultrainformada de desinformação, há a vantagem de se anunciar, porque se testa reações. Não do público, chão de fábrica febril, louco de fome por dignidade, mas dos estafados de lagosta, seja representado pelo fofinho da casa baixa, seja pelo fofuxo da casa alta, ou representado por 11 ditos acovardados do mais alto castelo da lei.

Você diria "em nenhum país sério do mundo tal coisa blá blá blá passaria impune". Você não está em qualquer país do mundo. Você está no país dos reféns. Reféns de si mesmo e de suas próprias escolhas.

Como na charge do gênio André Dahmer, um anjinho fala ao ouvido do homem: "as instituições estão funcionando"; no que o diabo retruca no outro: "claro que estão".

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