ANO: 25 | Nº: 6432

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
14/09/2019 Airton Gusmão (Opinião)

Chamados a viver de misericórdia

"A comunidade, como lugar de portas sempre abertas, é também indicação para a missão. Quem está dentro é chamado a sair e ir ao encontro do outro onde quer que ele esteja. Ela nunca poderá ser compreendida como casa de irmãos se fechar suas portas para as pessoas mais vulneráveis. Essas devem ter espaço prioritário em nossas comunidades, sentindo e sabendo que serão acolhidas, vendo em cada comunidade cristã uma porta, misericordiosamente, aberta. Não poderá haver uma comunidade autenticamente cristã que não seja Porta de Misericórdia para todos que precisam" (Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2019-2023, nº 141).
Jesus continua o seu caminho para Jerusalém, juntamente com seus discípulos e, diante das críticas dos fariseus e escribas que se tinham por sábios, cumpridores da lei, religiosos por tradição, e ao mesmo tempo julgando e desprezando os pobres, os pecadores e os estrangeiros; apresenta, através das parábolas (Lc 15,1-32), o coração, a misericórdia do Pai para todos os seus filhos e filhas.
A vida pública de Jesus sempre foi uma pregação misericordiosa junto a toda forma de miséria humana. Ele dedicou sua vida a todos os que necessitavam de compaixão, de ajuda, de socorro, de compreensão e de perdão. Por isso, que em nome da misericórdia, faz-se amigo dos pecadores e frequenta suas mesas; comove-se diante da multidão que anda abatida como ovelhas sem pastor, socorre a todos os que sofrem de alguma enfermidade e os que clamavam: "Senhor, piedade!".
Na Bula de proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, 'O Rosto da Misericórdia', o Papa Francisco, falando das parábolas dedicadas à misericórdia, nos diz: "Jesus declara que a misericórdia não é apenas o agir do Pai, mas torna-se o critério para individuar quem são os seus verdadeiros filhos. Somos chamados a viver de misericórdia porque, primeiro, foi usada misericórdia para conosco" (nº 09).
Deus nos amou e nos ama primeiro. Mas, ao dar-nos conta deste movimento do coração de Deus para nós, cabe-nos corresponder, procurando amar o próximo como ele nos ama e como a nós mesmos. Jesus Cristo ensinou que o homem não só recebe e experimenta a misericórdia de Deus; mas é também chamado a ter misericórdia para com os demais: "Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia" (Mt 5,7), como um programa de vida, como um ideal de santidade e de perfeição que pode ir se concretizando nas obras de misericórdia corporais e espirituais.
E não esqueçamos as obras de misericórdia corporais e espirituais que, respectivamente, continuam sempre atuais: dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus, acolher os peregrinos, dar assistência aos enfermos, visitar os presos e enterrar os mortos; aconselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência as pessoas molestas e rezar a Deus pelos vivos e defuntos.
Jesus adverte que o juízo final passará pela prova das obras de misericórdia e bondade que tivermos praticado em favor do próximo mais necessitado. Ele as atribuirá como feitas em seu favor (Mt 25,31-46). Por isso, não basta se dizer cristão e ter os mesmos pensamentos, atitudes e práticas dos fariseus e publicanos que criticam e julgam Jesus: "Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles". Meditemos estas parábolas que falam da misericórdia de Deus e sejamos misericordiosos.
Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Lembramos que de 19 a 27 deste mês acontecerá a Novena de Nossa Senhora Conquistadora, no Santuário, sempre às 19h30min e, no dia 29, a 45ª Romaria de Nossa Senhora Conquistadora. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade!

 

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