ANO: 25 | Nº: 6379

Egon Kopereck

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Pastor da Congregação Evangélica Luterana da Paz
14/09/2019 Egon Kopereck (Opinião)

Semana Farroupilha

Amigos leitores!

Nessa próxima semana, é a semana Farroupilha e o povo gaúcho desfila com sua bombacha, vestido de prenda, enfim, mostra a indumentaria das suas tradições.
Sem dúvida, o chimarrão faz parte dessas tradições e é algo especial, uma demonstração de valores.
O chimarrão ensina o respeito pelo tempo certo de falar e escutar. Tu falas enquanto o outro toma, depois tu escutas.
O chimarrão é o momento do companheirismo.
É a sensibilidade da água quase fervendo.
É o carinho para perguntar: "Está quente, tchê?"
É a modéstia de quem ceva o melhor mate.
É a generosidade de servir até o fim.
É a hospitalidade do convite.
É a justiça de esperar um por um.
É a obrigação de dizer: "Obrigado", ao menos uma vez por dia.
É a atitude ética, franca, leal de se encontrar sem maiores pretensões ou interesses.
O chimarrão nos ensina a compartilhar.
Aqui o chimarrão une e fortalece as boas amizades.
Mas ... se dizer gaúcho, nem sempre foi motivo de orgulho. A origem deste nome, bem como a de gaudério, eram expressões usadas para designar os ladrões de gado que agiam pelo nosso pampa. Até a metade do século XIX o termo gaúcho ainda era depreciativo, aplicado aos mestiços de espanhol e português, com as índias guaranis e tapes missioneiras, segundo escreveu o historiador Emílio Coni.
Um outro historiador Saint Hilaire, em seus apontamentos de 1820, escreveu: "Esses homens sem religião nem moral, na maioria índios ou mestiços que os portugueses designaram de garruchos ou gahuchos."
Mas com o passar do tempo, não muito depois, esses gaúchos foram ganhando seu espaço, não mais com uma vida imoral e desonesta, mas com trabalho e luta pela verdade e pela justiça.
Talvez o marco que hoje lembramos e festejamos, o 20 de setembro de 1835, quando os rebeldes farroupilhas, proclamaram a república dos Pampas, ou Piratini, ou do Rio Grande. Começava ali a mais longa guerra civil na história do nosso país. Era uma luta pela igualdade, pela justiça, contrariando os impostos exagerados, a opressão que vinha de cima.
Hoje lembramos essa história, marcada por lutas, mortes, vitórias e derrotas, heróis e derrotados.
Dentro desse cenário o culto, a missa era um momento solene, especial de trégua, de paz, de conforto e alívio.
"Mas não basta pra ser livre, ser forte, aguerrido e bravo.
Povo que não tem virtude, acaba por ser escravo." Diz o nosso hino riograndense.
O povo gaúcho ainda hoje é visto e reconhecido como aquele que talvez, tenha o maior orgulho das suas tradições, seus costumes, sua cultura, sua história.
No andar, no desenvolver da sua história, se cultivou aqui princípios, valores éticos e morais dignos e honrados. O respeito, a dignidade, a honra, a lealdade, a justiça, a verdade.
A Bíblia Sagrada, Palavra de Deus nos diz: "A bondade é a colheita produzida pelas sementes que foram lançadas pelos que trabalham em favor da paz."
Um gaúcho que foi morar no nordeste, saudoso dos pampas fez uma poesia, que transformou em música, onde dizia assim:
Pampa, pampa, pampa como eu gosto de ti.
O verdejante dos teus prados e a água doce dos teus rios;
O minuano nas coxilhas, e as conversas nos galpões.
Pampa, pampa, pampa como eu gosto de ti.
Mas há um campo mais bonito, noutra terra além daqui,
Onde soltarei meu pingo, sem bucal e amarração.
Naquela estância vou ficar por muito tempo,
Bem junto a Deus, Patrão dos altos céus;
Vou ter saudade de cruzar os teus caminhos,
Mas Pampa velho é bem melhor estar com Deus.
Parabéns ao povo gaúcho, mas não nos esqueçamos: em Jesus temos a nos esperar um pampa bem melhor no céu.


Pastor da Congregação Evangélica Luterana da Paz

 

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