ANO: 25 | Nº: 6437
16/09/2019 Cidade

Museu Dom Diogo inaugura, amanhã, exposição sobre bombas de chimarrão e seu contexto histórico

Foto: Divulgação

Mostra destaca bombas de chimarrão de diversas épocas, estilos e materiais
Mostra destaca bombas de chimarrão de diversas épocas, estilos e materiais

Um dos artefatos mais presentes da cultura gaúcha ganha protagonismo na exposição "Bombas de chimarrão: Expressões de Identidades Culturais", do designer Ricardo Mayer, que será inaugurada, amanhã, no Museu Dom Diogo de Souza, mantido pela Fundação Attila Taborda (FAT/Urcamp). A mostra encerra no dia 30 de setembro. O trabalho é o desenlace da pesquisa realizada por ele no mestrado em Patrimônio Cultural, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
Mayer explica que a exposição é composta por 10 painéis, com 45 imagens de peças que traçam o histórico do artefato, desde seu primeiro registro até os utensílios atuais, acentuando sua importância cultural não apenas para o gaúcho, mas para os países platinos.
O designer destaca o ineditismo da pesquisa, já que existem poucos registros históricos oficiais sobre o uso do instrumento. "As coisas que se têm escritas sobre a bomba vêm de livros de autores gaúchos ligados ao tradicionalismo, a partir dos anos 50. A minha pesquisa buscou investigar algumas contradições nestas histórias, contadas até então", explica.
Para isso, mergulhou no levantamento de dados sobre a origem da bomba de chimarrão em texto do século 18, escritos por viajantes que estiveram na região da América Meridional, além de escritos de padres jesuítas com passagens sobre o modo de consumo da infusão. A partir desses estudos, o designer consegue demonstrar que existiram várias formas de tomar erva-mate até chegar à forma praticada nos dias atuais. "Percebi que as histórias contadas pelos tradicionalistas, de que os indígenas tomavam o mate usando a bomba, não têm comprovação documental", conta.
Outro ponto alto da exposição são as imagens antigas e selecionadas por ele para ilustrar a exposição. Mayer destaca, principalmente, o registro mais antigo encontrado durante o levantamento de dados: uma gravura, datada de 1717, feita na Europa, retratando mulheres espanholas tomando infusão de erva mate no Peru.
Dentro do País, a principal fonte de pesquisa para Mayer foi o Museu Paranaense, de Curitiba, que conta com o maior acervo sobre o mate, devido à importância deste produto como matéria-prima para alancar a economia do estado durante os séculos 19 e 20.
Bombas de uso cotidiano acompanhadas de trechos de depoimentos de seus proprietários e versos de canções gaúchas apresentam uma abordagem contemporânea sobre as bombas de chimarrão como veículos de expressão das identidades culturais da região.
Mayer aponta que a exposição foi formatada para ser atraente tanto para pessoas ligadas à cultura tradicional gaúcha e apreciadores do chimarrão, quanto para os interessados em história, patrimônio cultural, artes, joalheria e design. Afinal, o objeto pode ser admirado sob vários pontos de vista.
A exposição permanece no Museu Dom Diogo de Souza, de 17 a 30 de setembro, de terça a sexta-feira, das 8h30min às 11h30min e das 14h às 18h, e aos sábados e domingos, das 14h às 18h.

Mais imagens

Deixe seu comentário abaixo

Mais notícias da edição

Outras edições

Carregando...