ANO: 25 | Nº: 6400

Rochele Barbosa

rochelebarbosa@gmail.com
Jornalista formada pela Universidade da Região da Campanha. Responsável pela produção e reportagem do caderno de Saúde do Jornal MINUANO
16/09/2019 Caderno Minuano Saúde

O que é sarampo?

Foto: Divulgação

CAPA
CAPA

Sarampo é uma doença viral aguda similar a uma infecção do trato respiratório superior. É grave, principalmente em crianças menores de cinco anos, desnutridas e imunodeprimidaos. A transmissão do vírus ocorre a partir de gotículas de pessoas doentes ao espirrar, tossir, falar ou respirar próximo de pessoas sem imunidade contra o vírus.

Nesta edição, a médica pediatra Priscila Vargas irá explicar o que é a doença, quais são os sintomas e como prevenir.

 

Sintomas e prevenção

 

Os principais sintomas do sarampo são:

* febre acompanhada de tosse;

* irritação nos olhos;

* nariz escorrendo ou entupido;

* mal-estar intenso;

 

A médica explica que em torno de três a cinco dias, podem aparecer outros sinais e sintomas, como manchas vermelhas no rosto e atrás das orelhas que, em seguida, se espalham pelo corpo. Após o aparecimento das manchas, a persistência da febre é um sinal de alerta e pode indicar gravidade, principalmente em crianças menores de cinco anos de idade.

“A transmissão pode ocorrer entre quatro dias antes e quatro dias após o aparecimento das manchas vermelhas pelo corpo”, explica.

 

Tratamento

"Não existe tratamento específico para o sarampo", ressalta a pediatra. “Os medicamentos são utilizados para reduzir o desconforto ocasionado pelos sintomas da doença”, complementa.

 

Como prevenir?

O sarampo é uma doença prevenível por vacinação, alerta a profissional. Os critérios de indicação da vacina são revisados periodicamente pelo Ministério da Saúde e levam em conta: características clínicas da doença, idade, ter adoecido por sarampo durante a vida, ocorrência de surtos, além de outros aspectos epidemiológicos.

 

Quem deve se vacinar

* Dose zero: devido ao aumento de casos de sarampo em alguns estados, todas as crianças de seis meses a menores de um ano devem ser vacinadas (dose extra).

* Primeira dose: crianças que completarem 12 meses (um ano).

* Segunda dose: aos 15 meses de idade, última dose por toda a vida.

 

Adulto deve se vacinar?

 

Tomou apenas uma dose até os 29 anos de idade: “Se você tem entre um e 29 anos e recebeu apenas uma dose, recomenda-se completar o esquema vacinal com a segunda dose da vacina;

Quem comprova as duas doses da vacina do sarampo, não precisa se vacinar novamente”, acrescentou.

 

Não tomou nenhuma dose, perdeu o cartão ou não se lembra?

De um a 29 anos - São necessárias duas doses;

De 30 a 49 anos - Apenas uma dose.

 

 

Grávidas podem ser vacinadas?

 

Priscila conta que a vacina é contraindicada durante a gestação, pois são produzidas com o vírus do sarampo vivo, apesar de atenuado. “A gestação tende a diminuir a imunidade da mulher, o que deixa o sistema imunológico mais vulnerável e, por isso, a vacina pode desenvolver a doença ou complicações”, explica.

O recomendado pelo Ministério da Saúde é que a mulher que faça planos de engravidar tome todas as doses da vacina antes, podendo esta ser a tríplice ou a tetra viral, e mantenha toda a rotina prevista no Calendário Nacional de Vacinação atualizada, para se proteger e proteger o bebê.

 

Quais são as vacinas que protegem?

A profilaxia (prevenção) do sarampo está disponível em apresentações diferentes. Todas previnem e cabe ao profissional de saúde aplicar a vacina adequada para cada pessoa, de acordo com a idade ou situação epidemiológica.

 

Os tipos são:

Dupla viral - Protege do vírus do sarampo e da rubéola. Pode ser utilizada para o bloqueio vacinal em situação de surto;

Tríplice viral - Protege do vírus do sarampo, caxumba e rubéola;

Tetra viral - Protege do vírus do sarampo, caxumba, rubéola e varicela (catapora).

 

Preocupação com a onda de contaminação

No período de 09/06 a 31/08/19, um total de 2.753 casos foram confirmados laboratorialmente em 13 Unidades da Federação com transmissão ativa. Destes, 98,3% (2.708) estão concentrados em municípios do estado de São Paulo, principalmente na região metropolitana. Apenas 1,7% dos casos teve registro nas demais 12 Unidades da Federação.

 

Foram confirmados quatro óbitos por sarampo no Brasil, três no estado de São Paulo e um no estado de Pernambuco. Três óbitos ocorreram em menores de um ano de idade e um em um indivíduo de 42 anos. Apenas um dos casos era do sexo feminino e nenhum era vacinado contra a doença.

 

Para a interrupção da transmissão do vírus do sarampo, redução das internações e óbitos no País a vacinação deve ser priorizada e adotada na seguinte ordem:

 

1. Instituir dose zero para crianças de seis meses a 11 meses e 29 dias;

 

2. Vacinar com a primeira dose aos 12 meses de idade, de acordo com o Calendário Nacional de Vacinação;

 

3. Vacinar com a segunda dose aos 15 meses de idade, de acordo com o Calendário Nacional de Vacinação;

 

4. Vacinar menores de quatro anos, 11 meses e 29 dias não vacinados ou com o calendário vacinal incompleto;

 

5. Vacinar trabalhadores da saúde de qualquer idade que atuam no atendimento direto de pacientes com suspeita de infecções respiratórias;

 

6. Vacinar indivíduos de seis a 29 anos não vacinados;

 

7. Vacinar indivíduos de seis a 29 anos com esquema vacinal incompleto;

 

8. Vacinar indivíduos de 30 a 49 anos não vacinados;

 

Importante

Para as crianças que receberem a dose zero da vacina entre seis meses a 11 meses e 29 dias, esta não será considerada válida para fins do Calendário Nacional de Vacinação, devendo ser agendada a partir dos 12 meses com a vacina tríplice viral e aos 15 meses com a vacina tetraviral ou tríplice viral mais varicela, respeitando-se o intervalo de 30 dias entre as doses.

Os profissionais de saúde devem avaliar a caderneta de vacinação do indivíduo e recomendar a vacinação quando necessária. O indivíduo que apresentar esquema vacinal completo, de acordo com a faixa etária, não deve ser revacinado.

Os trabalhadores da saúde devem ter comprovação de duas doses da vacina com o componente sarampo, independentemente da faixa etária.

“As vacinas contendo o componente sarampo são seguras, mas apresentam contraindicações que devem ser respeitadas mesmo em situações de surto de sarampo. Assim, não devem receber vacinas contendo o componente sarampo as gestantes, crianças menores de seis meses de idade e imunodeprimidos”, conclui a médica pediatra Priscila Vargas.

 

 

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