ANO: 25 | Nº: 6360
18/09/2019 Luiz Coronel (Opinião)

Duelo no escuro


Se os "garantistas" me assegurassem que sua incondicional e absoluta defesa da lei não afrouxasse a coleira dos larápios, eu subiria numa banqueta para aplaudi-los com sonoras palmas. Se os "lava jatistas" me jurassem, com o dedo polegar entre os lábios, que agiriam energicamente dentro dos ditames da lei, eu buzinaria nas praças em seu louvor. Nem cá nem lá me conferem tal segurança e não me permitem deitar a cabeça no travesseiro com sossego.
Gato na tuba – Expliquem-me, doutos senhores, se ao Poder Judiciário assolam problemas da mais alta magnitude, como o regime carcerário (um abismo social), a violência (65 mil assassinatos/ano), por que, de repente, não mais que de repente, os "abusos de autoridade" cometidos, eventualmente, por juízes e pelo Ministério Público, ganham a pauta de prioridade e tornam-se o "ser ou não ser" da questão? Vamos e venhamos, há um gato nessa tuba.
O corpo da história – Detenha-se atento, observe o corpo de nossa história, estranho pássaro de penas verdes- amarelas. Tem asas livres para alçar voo ao futuro? Traz as patas enlameadas pela torpeza? Pousa na linha do horizonte, anunciando nova aurora? Responda logo antes que anoiteça.
A banalidade do mal – Assisto e ouço, perplexo, a palestra de Denis Mukwege. Prêmio Nobel da Paz, sobre hediondos crimes contra a humanidade praticados na República Popular do Congo e mundo afora. O estupro coletivo de mulheres como arma de guerra. Através dele, o aniquilamento dos laços afetivos, éticos que unem comunidades. Sobra-me, no gosto amargo do tema, a certeza de que o bem tem limites e o mal não conhece teto, fronteiras, limitações. Ele pode ser o inferno na Terra. Ele consagra a "banalidade do mal" em pleno século XXI.
As leis – Fora das leis não há salvação, isto não quer dizer que mesmo estabelecidas, debatidas e aprovadas, as leis não viabilizem danações. "As leis são as colunas sobre as quais ergue-se a civilização", bradam doutos juristas. Porém, os safados ocultam-se atrás das colunas e a lei não os alcança. "A lei é o manto que a todos encobre" proclamam insignes jurisconsultos. Os infratores, se poderosos, dormem com os pés de fora e os chinelos em prontidão, prontos para zarpar quando flagrados em práticas delituosas.
Brasil esperança – Se o Brasil fosse água, não daria para beber. Muito turva. Se o Brasil fosse uma ideia, não dava para abraçar. As ideias estão conflituosas. Mas o Brasil é esperança. Vamos lá, clarear as águas e as ideias, e tocar em frente. O país é tão lindo, vale a pena lutar por ele.

 

Deixe seu comentário abaixo

Mais notícias da edição

Outras edições

Carregando...