ANO: 25 | Nº: 6356

Luiz Fernando Mainardi

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Deputado Estadual
18/09/2019 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

O caso Funpas e o futuro de Bagé

Estava eu nas minhas funções, defendendo os interesses dos bajeenses e dos gaúchos onde me foi determinado pelo povo, na Assembleia Legislativa, como deputado, e eis que fui covardemente atacado pelo atual prefeito, que sugeriu em entrevista à rádio Difusora que promovi prejuízos econômicos para a cidade quando captei um financiamento do Banco Mundial, quando fui prefeito.
O financiamento, como se sabe, é uma prática bastante normal em qualquer gestão, seja ela municipal, estadual e mesmo nacional. O que importa e diferencia os financiamentos é se eles são feitos para resolver problemas de caixa, como eram realizados no passado pelos governos federais antes de Lula, ou se eles são feitos para promover investimentos, como foi o caso do financiamento que captamos, em consórcio com outros municípios, em 2007.
Já listei todas as obras que fizemos com aquele dinheiro. Foram ganhos para os moradores, reconhecido por eles mesmo. Evidente que esses financiamentos têm que ser pagos. É assim que funciona. Cada governo que entra tem que ter consciência de que assume todos os encargos da prefeitura, não apenas aqueles com os quais concorda. Veja, se um candidato acha que não consegue resolver os problemas da cidade, nem deveria se candidatar.
Então, como não consegui entender a reclamação, fui tentar buscar as razões dos arroubos do prefeito. Como é que um prefeito reclama de algo que gerou só benefícios para os cidadãos da cidade? Se eu fosse acusado de ter me apropriado desse dinheiro, como é uma prática que, infelizmente, ainda existe em certos governos, aí as reclamações seriam justas. Mas ser atacado por buscar dinheiro para fazer obras e benfeitorias e gerar benefícios para os moradores da cidade, aí não consigo entender.
Bem, mas fui, então, buscar as razões da manifestação extemporânea do Divaldo Lara. E aí então consegui entender.
Existe uma bomba na atual gestão. Uma bomba que está sendo escondida dos moradores da cidade, mas está prestes a explodir. Esta bomba é a falta de transferências dos recursos devidos pela prefeitura para o Fundo Previdenciário dos Servidores Municipal, o Funpas. Explico.
O Funpas foi criado por decisão de Lei pelo ex-prefeito Azambuja. Quando assumi, logo depois, ele tinha um saldo igual a zero, ou seja, não tinha qualquer recurso ainda. Em meu governo, regulamentamos o Fundo e iniciamos a sua gestão. As contribuições são oriundas de funcionários e da própria municipalidade, em índices definidos pela Câmara Municipal.
Pois bem, quando conclui o meu governo, o Funpas contava com R$ 16 milhões em caixa. Deixei, também, uma dívida parcelada com o Fundo na ordem de R$ 3 milhões. Tudo absolutamente compatível com os compromissos do Fundo para o futuro, naquele momento.
Dudu Colombo me sucedeu. Embora seja do PT, foi outro governo, como todos sabem, governo, aliás, sobre o qual não tive qualquer influência. Pois bem, no governo de Dudu (oito anos), o Fundo cresceu e, ao final, tinha um saldo em caixa de R$ 57 milhões, mas tinha, também, uma dívida crescida, na ordem de R$ 61 milhões. Quer dizer, neste momento, o Fundo já era deficitário em algo em torno de R$ 4 milhões. Não era uma situação boa, mas totalmente administrável.
Mas Divaldo Lara assumiu e as transferências para o Fundo desandaram completamente. Hoje, aquele saldo em caixa que ele herdou de Dudu, que era de R$ 57 milhões, está em R$ 28 milhões. Houve uma dilapidação de patrimônio óbvio, na ordem de R$ 29 milhões apenas aí. Mas o problema não acaba nisso. A dívida, que era de R$ 62 milhões ao final do governo do Dudu, agora é de R$ 103 milhões.
O próprio prefeito reconheceu em suposta resposta a mim esses números trágicos. A verdade é que Divaldo Lara gerou um buraco de R$ 70 milhões no Fundo, para arredondar. E isso é um total absurdo, porque coloca em risco o dinheiro que foi contribuído pelos servidores e, em parte, pelo município, para garantir o pagamento das aposentadorias, que, como todos sabemos, ampliaram-se nos últimos tempos, por conta do verdadeiro crime que estão fazendo em Brasília. Agora vejam a coincidência, Divaldo Lara também apoia esse crime que fazem lá, destruindo a previdência pública.
Divaldo está quebrando o Funpas. Se nada for feito, em um ano já não haverá dinheiro para pagar os aposentados pelo Fundo. O município terá que assumir esses pagamentos, ampliando a folha para algo em torno de R$ 11 milhões. E isso trará implicações para todos os moradores de Bagé, já que a municipalidade terá menos dinheiro para investir em saúde, educação, políticas sociais, etc.
Divaldo, então, quer gerar uma cortina de fumaça com a questão do empréstimo. Sabe que foi legal e muito positivo para a cidade. Mas quer, como sempre, inverter a realidade, com suas Fake News. Comigo não, espertalhão!

Líder da bancada do PT na AL

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