ANO: 25 | Nº: 6488

João L. Roschildt

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Advogado e professor do curso de Direito da Urcamp
19/09/2019 João L. Roschildt (Opinião)

Omelete mental

Se o futuro está na mão dos jovens, não há futuro. Aos mais apegados à sobrevivência física, saibam que o mundo não vai acabar por conta de um incêndio na Amazônia. Nem por meio do “aquecimento global”, como afirmam alguns políticos de ocasião. Talvez, a existência humana encontre alguns percalços com os alimentos transgênicos, mas também não será por isso que pereceremos.

Para compreender a falta de um horizonte razoável, basta olhar para os adolescentes. Ou, ainda, para aqueles que teimam em se mostrar nessa condição. Normalmente irresponsáveis, sempre “revolucionários de iPhone”, habitualmente fúteis, perpetuamente ilógicos, continuamente insensatos e ideologicamente marcados, os jovens contemporâneos (com exceções) não passam de arremedos humanos. Incapazes de reflexões profundas, não perdem tempo para aniquilar valores civilizatórios ao mesmo tempo em que posam de portadores da boa-nova. E a eles confiamos o futuro?

Recentemente, o conservador Will Witt, vinculado a organização independente PragerU, produziu um vídeo (disponível no YouTube) que mostra bem a atual realidade juvenil. Buscando verificar a solidez argumentativa daqueles jovens que se declaram favoráveis ao “direito de escolha” da mulher quanto ao aborto, Will resolveu fazer uma pesquisa no badalado Echo Park, em Los Angeles. Em um primeiro momento, ele perguntava se as pessoas entrevistadas assinariam uma petição para impedir a destruição de ovos de águias americanas, o que protegeria as aves que ainda não nasceram; então, após isso, ele indagava se estas pessoas também reforçariam uma outra petição: para que parassem com a matança de humanos, especialmente daqueles que ainda não haviam nascido. Nesse último caso, o signatário deveria endossar a visão racional de que a “escolha” em abortar é moralmente errada por eliminar uma vida. E o que o leitor deste texto imagina que ocorreu?

No caso dos ovos das aves, sobraram assertivas como “incrível”, “águias também são pessoas”, “espero que você salve as águias”, sempre permeado pelo reforço de que as águias ainda não nascidas também têm direitos. Por outro lado, ao pedir uma assinatura para que não fosse mais permitido o aborto nos EUA, a rejeição foi integral. Will, ao argumentar que gostaria de preservar os direitos daqueles que não nasceram, ouviu coisas do tipo: “Eu acho que é decisão da mãe”; “todo mundo pode fazer suas próprias decisões sobre seu corpo”; “bebês são nojentos”; e  “você não é mulher, então não tem ideia”. Ao término, uma das entrevistadas disse que, caso ficasse grávida, só teria um único filho porque todos iremos morrer muito rápido. A razão? O “aquecimento global”...

Tão cristalina quanto água é a evidência da idiotice predominante entre estes jovens “inteligentinhos”. Sempre figurando como estandartes de uma “consciência crítica”, a ideologia massificada entre os jovens não passa de um sistema escravocrata que aprisiona a razão. Daí seus apelos a chavões e expressões sentimentalizadas para justificar a própria ignorância com a bestial esperança de que exista alguém mais ignorante que eles próprios para aceitar suas insanidades.

Como diria Chesterton, em outro contexto, “onde quer que haja adoração a animais, ali haverá sacrifício humano”. Se alguém substituir a palavra “animais” por "jovens", poderá obter o mesmo resultado.

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