ANO: 25 | Nº: 6397

Marcelo Teixeira

marceloct@ymail.com
Advogado e professor universitário - Urcamp
20/09/2019 Marcelo Teixeira (Opinião)

Apocalypse Now...Again

(Apocalipse agora... novamente)

Desde que me conheço por gente, ouço a tese de que a extinção dos dinossauros ocorreu em função, principalmente, da queda de um grande meteoro no nosso planeta, que teria desencadeado uma série de catástrofes ambientais que não permitiram que estes grandes lagartos vivessem o suficiente para desfrutar do convívio conosco na face da Terra.
Estimam que nosso planeta tem aproximadamente 4,6 bilhões de anos e nesta numeração fantástica, a outra estimativa é de que os dinossauros "abandonaram" o cenário há, apenas, 65 milhões de anos, o que é, nesta escala de tempo, no ano retrasado. Só para fazermos um paralelo e entendermos esta proporção, se a Terra fosse um ser humano com 100 anos de idade hoje, a extinção dos dinossauros teria ocorrido depois dos 98 anos de idade.
Já o homo sapiens (e a mulher sapiens também, segundo a Dilma), tem no máximo duzentos mil anos, ou seja, do fim dos dinossauros ao surgimento dos nossos ancestrais mais remotos, passaram-se mais de 64 milhões de anos.
Até aqui, qualquer fã mirim dos filmes do Jurassic Park, sabe de cor e salteado, de trás para frente. Todavia, recentemente, descobri que, entre o impacto do grande meteoro e a efetiva extinção dos dinossauros, ainda se passou, no mínimo, dez mil anos. Confesso que me caiu os butiás do bolso, pois achava que a extinção teria ocorrido de uma tacada só, ou seja, o grande impacto com o meteoro teria devastado significativa parcela da face da terra e os seres vivos que não morreram na hora, morreram pouco tempo depois em função dos efeitos imediatos que se seguiram. Dez mil anos, porém, não tem nada de "pouco tempo", pelo contrário, é uma enormidade de tempo. São cem séculos!
A razão dessa demora é que o grande impacto do meteoro afetou o equilíbrio ecológico, interferiu na cadeia alimentar e isso promoveu a extinção de mais de três quartos da vida no planeta o que, para os estudiosos, seria uma "aniquilação biológica". Nosso planeta já teria experimentado cinco extinções em massa em sua história, sendo que a última foi esta que extinguiu os dinossauros.
Pois bem, estes mesmos estudiosos afirmam categoricamente que já estamos em plena sexta extinção em massa, e numa velocidade nunca antes vista. Analisando os números desde o ano 1900 se constata um declínio significativo de dezenas de espécies de vertebrados e mamíferos, seja em número de indivíduos ou espécies, seja na sua distribuição geográfica. As mudanças climáticas e a extinção de espécies animais seriam evidências disso tudo. Só que, como vimos, a extinção nunca é súbita e pode demorar milhares de anos. Tanto que nem tínhamos percebido que estávamos em pleno processo de extinção. A letra da música "Eva", então, quando diz que "É o fim da aventura humana na Terra" não é uma ficção, pois descreve exatamente o que estamos testemunhando neste exato momento e sem perceber. Assim sendo, pela parte que me toca, foi um privilégio ter estado com vocês. Bom apocalipse para todos nós!

 

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