ANO: 25 | Nº: 6381
26/09/2019 Cidade

Aumenta número de empreendedores no Rio Grande do Sul

Foto: Tiago Rolim de Moura

Morais buscou capacitação através do Empretec, do Sebrae, para se preparar melhor para o mercado
Morais buscou capacitação através do Empretec, do Sebrae, para se preparar melhor para o mercado
por Melissa Louçan

A coragem para enfrentar um mercado em momento de recessão econômica com um negócio próprio elevou o número de empreendedores gaúchos nos últimos três anos. Enquanto, em 2016, o Estado contabilizava 1,9 milhão de empreendedores, este número saltou para 2,4 milhões em 2018. Esses são dados da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), conduzida pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP) em parceria com o Sebrae RS. Ou seja, em dois anos, houve uma alta de 26,3% e esse montante já representa 4,5% de todo o empreendedorismo do Brasil.

Gerente regional do Sebrae, Ciro Vives destaca que o empreendedorismo é o grande potencializador para desenvolvimento econômico de uma região. E isso pode ser observado no leve crescimento da economia do Estado. Contudo, de acordo com Vives, a cultura empreendedora não pode ser vista apenas como uma "saída para o desemprego", já que de três pessoas que empreendem, duas o fazem porque vislumbram uma brecha de mercado e uma tendência favorável ao segmento em que pretendem atuar; apenas um dos três resolve empreender por necessidade.

A partir da análise dos dados, é possível apontar algumas características de quem decide começar um negócio no Estado. No quesito escolaridade, o levantamento demonstra que daqueles que entendem o empreendedorismo como uma necessidade, 33,1% têm o ensino fundamental incompleto, 31,9% o fundamental completo e médio incompleto. Dentro deste perfil, 56% é de homens e 44% mulheres.

E o número de empreendedores gaúchos deve continuar crescendo. O estudo mostra que 25,8% da população adulta têm interesse em desenvolver-se como empreendedor. Em números absolutos, aproximadamente 2 milhões de pessoas vislumbram a possibilidade de empreender nos próximos três anos, independentemente de já possuírem, ou não, algum outro negócio.

Também é preciso estar atento às condições necessárias para abrir e manter um novo empreendimento no Estado. Dos entrevistados, 35,3% acredita na pesquisa e desenvolvimento, 35,3% na capacidade empreendedora, 23,5% nas políticas governamentais e 5,9% na abertura de mercado. No que diz respeito aos fatores limitantes, a falta de apoio financeiro e de políticas governamentais lideram com 58,8%. A pesquisa também mostra que o empreendedorismo gaúcho é bem equilibrado em relação ao gênero, sendo 44,1% dominado por mulheres e 55,9% por homens.

Abrir a própria empresa é um grande desafio e, portanto, precisa ser encarado com responsabilidade. Além disso, a persistência, o planejamento e uma análise de riscos bem executada são fundamentais para o sucesso de qualquer iniciativa no campo do empreendedorismo.

Para chegar aos resultados da pesquisa GEM "Empreendedorismo no Rio Grande do Sul" foram entrevistados 2 mil indivíduos, entre 18 a 64 anos, e 17 especialistas.

Dentro das estatísticas

"É preciso estar atento ao mercado e suas tendências"

Empreender foi a saída para Maurício Morais. Desempregado e com a necessidade de gerar renda em curto e médio prazo, começou a observar as carências do mercado e nichos até então pouco explorados. Com conhecimentos de marcenaria, apostou na criação de um modelo próprio de quadros decorativos, com foco na qualidade e acabamentos e na possibilidade de personalização de acordo com o gosto do clientes como diferencial dos produtos disponíveis até então. Foi assim que surgiu a Art&House Quadros Personalizados e Presentes Criativos, em abril de 2017.

O empresário destaca que para empreender é preciso, acima de tudo, coragem para dar os primeiros passos e persistência, além de conhecimentos e orientações técnicas. Formado em Administração de Empresas, Morais já trazia na bagagem algumas informações que facilitaram o processo. Contudo, ele destaca que foi através do Empretec, curso oferecido pelo Sebrae, que conseguiu amadurecer a ideia e tirar o projeto do papel. "Por já ter trabalhado um bom tempo como gerente bancário, tive um bom alicerce não só para negociar, como para fazer a minha própria gestão financeira. Mas no início eu não me sentia totalmente preparado para o mundo dos negócios. Nesse sentido, o Sebrae foi muito importante, através do Empretec, que instiga empreendedores a saírem de suas zonas de conforto e a superarem seus próprios limites com inovação e sensibilidade para com o mercado e suas constantes novas oportunidades", relata.

Morais aponta que viu o ímpeto empreendedor crescer, principalmente, em decorrência da crise econômica, o que gerou alta competição entre jovens empresas do mesmo segmento. "Por isso é preciso estar cada vez mais atento ao mercado e suas tendências e com disposição para inovar e oferecer algum diferencial que servirá para formar uma base sólida de clientes", diz.

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"Manter um negócio exige muita dedicação, não tem um horário para cumprir como se fosse funcionário de uma empresa"

Também formada em Administração de Empresas e Recursos Humanos, Quélen Olave trocou a vida no escritório por um panorama mais, digamos, doce. Antes de apresentar todas as receitas que hoje fazem sucesso no foodtruck Delícias da Vó Pretinha, ela já havia galgado degraus em direção ao empreendedorismo com uma empresa especializada em limpeza e conservação de obras. Na época, ainda sem experiência no mercado, contou com o auxílio do Sebrae para formatar o projeto que planejava desenvolver. "Para quem pretende abrir um negócio, eu sempre indico que procurem o Sebrae e busquem o máximo de informação. Manter um negócio exige muita dedicação, não tem um horário para cumprir como se fosse funcionário de uma empresa. Tu estás 24h está se dedicando ao próprio negócio", aponta.

Mesmo com o aporte técnico do Sebrae, enfrentou diversos desafios, mas contornou os maus momentos com capacitação e qualificação na área de atuação. "A maior dificuldade que tive foi conseguir um capital de giro e linhas de crédito, o que é muito difícil para quem está iniciando. Muitas instituições oferecem, mas dificultam ao máximo a liberação de um crédito para alavancar o negócio", destaca.

Após passagens por empresas privadas como funcionária e uma experiência prévia como empresária, decidiu novamente investir no negócio próprio, mas dessa vez em um segmento completamente diferente: confeitaria. "Começou como um lazer e muito rapidamente aumentaram os pedidos. Vi uma oportunidade e abracei", recorda.

Mas nem tudo é doce no mundo da confeitaria e Quélen também enfrentou percalços até firmar sua marca. "Agora as dificuldades foram outras, diferente da primeira empresa, em que eu atuava no ramo de serviços. No ramo de alimentação existe muita oferta e temos que achar sempre a forma mais eficaz de atender a necessidade do consumidor, além de aguçar a vontade de consumir nosso produto, e isso é diário. Por isso estamos sempre lançando um produto novo, interagindo com nossos clientes", conta.

Agora, Quélen sentiu a necessidade de mudar a identidade visual e o nome, já que no decorrer dos três anos de marca, também houve mudança na proposta de produtos e agregação de novos serviços. E isso também faz parte de uma estratégia de mercado. "Hoje estamos migrando para o nome Mondélices devido aos doces mais elaborados e também por incluir o serviço de buffet para eventos personalizados. Então resolvemos ampliar a nossa marca, modernizando-a", conta.

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