ANO: 26 | Nº: 6523

Dilce Helena Alves Aguzzi

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Psicóloga
01/10/2019 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Ou ensinamos a cuidar ou a taxa de egoístas continuará a crescer

Aprender a cuidar é uma tarefa importante na vida. Quem sabe cuidar tem mais êxito na maioria das tarefas. Cuidado e autocuidado estão em alta nas avaliações de capacidades e habilidades identificadas em pessoas que se consideram satisfeitas e declaram ter uma vida plena.

Quem sabe cuidar entende o valor da dedicação, aprende a administrar o tempo, estabelece metas alcançáveis, desenvolve tolerância à frustração, valoriza o que é importante, além de ampliar a possibilidade individual de expressão de afeto.
Por ser tão importante e diretamente relacionado a habilidades sócio afetivas torna-se indispensável aprender e ensinar a zelar, e deve começar cedo. Todos sabem que crianças reproduzem os comportamentos que observam nos adultos. Então, por que tantas crianças, adolescentes e jovens adultos não demonstram cuidado consigo mesmas, objetos, animais, plantas ou com as outras pessoas? Muitas delas não foram encorajadas a cuidar, não foi dada a elas a responsabilidade de cuidado com algo importante. Quando a criança é incentivada a colaborar em ações de zelo por algo de seu contexto, imediatamente passa a imitar o comportamento que vê em seu entorno seja de cuidados consigo mesma ou com os outros.
Do contrário essa criança aprende a receber tudo pronto, não necessitando contribuir com nada, mais um egoísta a habitar o mundo como tantos outros que vimos por aí. Egoístas altruístas, aliás, são a sensação das redes sociais atualmente. Eles se revoltam com injustiças sociais, mas dificilmente são produtivos social e comunitariamente. Sensíveis a causas ambientais apesar de não se importarem com seu lixo, defendem as minorias com a mesma força que ignoram a história de seus pais e não hesitam em tirar deles o máximo proveito. Reclamam por atenção e respeito apesar de declararem guerra a quem pensa diferente e preferirem o celular a olhar nos olhos de seu interlocutor. Sofrem pelos animais, entretanto impõem condições de humanos aos bichos, tratam pessoas como coisas e levam seus cachorrinhos para fazer cocô nas praças e calçadas alheias.
Quem não aprendeu a cuidar de seus brinquedos, de seu material escolar, de outro ser vivo, de seu microambiente, de seu corpo, apresenta dificuldades em assumir responsabilidades, em colaborar na manutenção do meio ambiente, de se dedicar concretamente a projetos de longo prazo, tem lapsos em cuidar de si mesmo e de sua saúde mental, frequentemente experimenta sensação de vazio existencial e demonstra limitação em observar e respeitar os sentimentos alheios.



Quem sabe cuidar entende o valor da dedicação

 

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