ANO: 25 | Nº: 6361

Fernando Risch

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Escritor
04/10/2019 Fernando Risch (Opinião)

Nostalgia


Há algum tempo senti o cheiro de um desinfetante e o aroma me transportou para meus 10, 11 anos de idade. Era o mesmo desinfetante que usavam na casa da minha mãe. Automaticamente, me vi pequeno jogando videogame e senti um aperto no peito, uma saudade irreparável da sensação de satisfação que eu tinha. Era nostalgia, a saudade dolorida e prazerosa.

Eu ainda tenho meus videogames antigos. Instalei um deles e joguei exatamente o jogo que me lembrava no meu momento nostálgico. Em um minuto, percebi que não tinha graça, não havia satisfação ou diversão. Eu havia mudado, o mundo havia mudado e aquela sensação agradável de um passado até não muito distante era irrecuperável.

Assim se sucedeu para outros momentos: churrascos, festas, casamentos, amizades. Coisas que passaram e coisas que se perderam. Momentos que jamais conseguiremos viver novamente e pessoas que, infelizmente, jamais consigamos reparar relações. Tentamos recriar situações, em lugares distintos e com pessoas diferentes, mas o sentimento é efêmero, vago, nada igual ao que passou.

Então a vida segue sem o olho no passado, porque o cotidiano esmaga e nos adaptamos a ele. Com o passar do tempo, olhamos para trás e percebemos que novas nostalgias existem, de momentos impensados, de hábitos não percebidos. Nada de repetições, nada de simulacros de vivências, apenas o novo que não é mais novo, que já passou.

A vida toma seu curso como deve ser, sempre à frente, ao novo, ao que vier. O que passou, passou, e jamais voltará a ser o que era, por mais doloroso que esse sentimento seja. A vida se vive de presente, mirando o futuro, não de passado, e se não olharmos à frente, apenas atrás, estaremos sempre engaiolados na irreparável dor sem remédio da nostalgia.

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