ANO: 25 | Nº: 6361

Rochele Barbosa

rochelebarbosa@gmail.com
Jornalista formada pela Universidade da Região da Campanha. Responsável pela produção e reportagem do caderno de Saúde do Jornal MINUANO
07/10/2019 Caderno Minuano Saúde

Conciliação medicamentosa: a segurança do paciente em foco

Foto: Divulgação

CAPA
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A segurança do paciente consiste em garantir a redução dos riscos associados ao cuidado com o indivíduo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Neste sentido, a medicação apresenta-se de dois lados, pois ainda que seja, muitas vezes, a principal alternativa terapêutica, em caso de uso inadequado, mostra-se como uma das principais causas mundiais de danos à saúde.
No que tange aos medicamentos, o erro pode acontecer em qualquer momento do processo, desde a prescrição até a administração. Em pacientes hospitalares, estudos relatam que os erros de medicação podem ultrapassar os 50% no momento da alta ou na transferência de unidade, trazendo a vulnerabilidade dos processos de transição.
Cabe ressaltar que uma terapia medicamentosa não consiste em apenas utilizar os medicamentos receitados, pois ainda que se esteja contando com os medicamentos adequados ao caso do paciente, a sua correta administração é fator crucial para o sucesso do tratamento, garantindo, sobretudo, segurança.
Nesta edição, os professores do curso de Farmácia da Urcamp, Ana Carolina Zago e Guilherme Bragança e as farmacêuticas Carlana Cruz e Caroline Barreto, explicam esse processo.


Farmácia clínica

Torna-se uma realidade mundial o uso de inúmeros fármacos para tratamento de diversas patologias associadas ou não, e os pacientes quando internam, trazem consigo seu histórico medicamentoso, que, muitas vezes, é de polimedicação.
Sabendo-se que a maioria das internações hospitalares promoverá necessidade de terapia medicamentosa e que expressivo número de pacientes já carrega consigo um histórico de uso de medicamentos domiciliar, a conciliação medicamentosa é, hoje, a principal ferramenta da farmácia clínica para reduzir os erros relacionados ao medicamento, promovendo redução dos riscos, melhora na resposta terapêutica, redução do tempo de internação, qualidade de vida e, sobretudo, segurança do paciente.
A conciliação medicamentosa é uma ação exclusiva do profissional Farmacêutico, explicam os profissionais, e consiste na obtenção da lista completa e precisa dos medicamentos habitualmente utilizados pelo paciente anteriormente à internação hospitalar. Esse levantamento considera tanto as medicações utilizadas de forma contínua em domicílio em médio e longo período terapêutico, quanto àquelas de caráter temporal curto, como por exemplo, antibióticos utilizados na semana que antecede a internação. Todavia, a conciliação não aborda somente o levantamento das medicações utilizadas anteriormente à internação, mas todas as prescrições também feitas no hospital em momentos distintos, como entre a transferência de unidade ou de equipe de cuidado, sempre visando garantir sucesso terapêutico e segurança ao paciente.

Cabe reforçar, então, que há três momentos fundamentais de conciliação: a admissão (internação), a troca de unidade e a mudança da equipe de cuidado.
Também torna-se fundamental o questionamento quanto ao possuir alergias a medicamentos, visto que o conhecimento sobre esses casos e os sintomas apresentados confere ainda mais segurança ao paciente, ao gerar um alerta ao médico, que então não fará prescrição da medicação promotora do processo alérgico.
A conciliação medicamentosa deve ser realizada logo no momento da internação e os dados obtidos quanto ao uso prévio de medicamentos devem ser fielmente descritos e apresentados ao profissional prescritor, para que o mesmo decida quanto a manutenção da terapêutica ou substituição. O processo já tem sido descrito em estudos e trazido como principal ação para redução dos problemas relacionados a medicamentos. A conciliação é realizada através da entrevista do profissional farmacêutico na beira do leito, diretamente para o paciente ou para seu cuidador. O farmacêutico faz a entrevista no leito e, logo em seguida, realiza a evolução no sistema de registros hospitalar. Assim, o médico prescritor possui acesso ao histórico de medicações ambulatoriais do paciente, para que possa tomar as decisões quanto à conduta farmacoterapêutica no âmbito hospitalar.
Quando você for se internar, leve suas receitas ou medicamentos que usava em casa para mostrar ao farmacêutico. Receba-o com atenção e carinho, pois ele está ali para lhe ajudar a melhorar rapidamente e transmitir ainda mais segurança ao seu tratamento. Responda a todas as perguntas e confie nele. O farmacêutico é fundamental à sua saúde.

 

 

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