ANO: 25 | Nº: 6382

Fernando Risch

fegrisch@gmail.com
Escritor
11/10/2019 Fernando Risch (Opinião)

Bolsonaro e a diplomacia subalterna

No dia 22 de março, escrevi, neste espaço, sobre os movimentos que Bolsonaro, juntamente ao seu chanceler, Ernesto Araújo, davam em Washington, em reunião com Donald Trump. Além do anúncio da importação de 750 mil toneladas de trigo americano e o fim da taxação da carne suína dos Estados Unidos, que prejudicariam o agro brasileiro, falei sobre a decisão do presidente de renunciar ao status "em desenvolvimento" (TED) na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Com pretensão de ingressar na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Donald Trump exigiu que o Brasil renuncie ao seu status privilegiado na OMC em troca de apoio. Num deslumbramento padrão da política externa vigente no Brasil, Bolsonaro e Araújo cederam. Na época, o chanceler justificou dizendo que o País deveria deixar pra trás o status de "em desenvolvimento", para ingressar como protagonismo na mesa de debates mundiais, mudança de nomenclatura que não altera em nada a realidade brasileira.

O status TED na OMC dá ao País mais flexibilidade e prazo para cumprir acordos, faz com que esses tenham medidas para proteger suas economias, assistência técnica para lidar com disputas comerciais e sejam privilegiados em oportunidades comerciais frente aos ditos países de primeiro mundo. Além disso, ingressar na OCDE cria um problema para com os integrantes do BRICS, que não veem essa ação de forma positiva.

Nada disso seria necessário. Coreia do Sul, por exemplo, faz parte da OCDE e mantém seu status TED na OMC. Mas o Brasil, na diplomacia deslumbrada, emocionalmente platônica e nem um pouco patriótica de Jair Bolsonaro e Ernesto Araújo, cederam ao pedido do presidente americano.

Ontem, Donald Trump rasgou a promessa. Segundo a Bloomberg, o presidente dos Estados Unidos não apoiará o Brasil para ingressar na OCDE, apoiando, no lugar, Argentina e Romênia. Se as ações que resultariam no ingresso na OCDE e renúncia ao status TED na OMC já eram duvidosas, agora são trágicas. Bolsonaro e Ernesto Araújo deixam o Brasil exposto comercialmente no mercado internacional.

A China, principal parceira comercial do Brasil e integrante do BRICS, já se distancia do mercado brasileiro. Numa queda de braço constante com os americanos, selam acordos polpudos enquanto trocam farpas simbólicas em forma de embargo. Em setembro, os chineses compraram 600 mil toneladas de soja dos Estados Unidos, enquanto isso, o Brasil assiste e diz amém. Os Estados Unidos não se importam com o Brasil, se importam consigo mesmo, seus negócios e sua população.

E nós, Brasil, brasileiros, aqui, com cara de tacho, com Barão de Rio Branco a se revirar na cova, assistindo o país ser humilhado internacionalmente por falsos patriotas que batem continência para bandeiras de outras nações, que se esbugalham em I Love you's apaixonados por corredores na ONU e que entregam o Brasil de bandeja para que estrangeiros – ideologicamente ligados ao regime - façam o que quiserem do País, numa diplomacia subalterna.

Bolsonaro transformou o Brasil no poodle de estimação de Donald Trump.

Deixe seu comentário abaixo

Mais notícias da edição

Outras edições

Carregando...