ANO: 25 | Nº: 6380

Luiz Fernando Mainardi

luiz.mainardi@al.rs.gov.br
Deputado Estadual
16/10/2019 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

O valor da oposição


Em uma democracia, regime político em que, entre outras coisas, os governantes e representantes do povo são eleitos em eleições livres, diretas e justas, sempre existe uma força política que está no governo (por ter sido eleita, claro) e outra, ou outras, que exercitam o papel de fazerem oposição a esse governo.
Essa acomodação se dá com uma certa naturalidade porque no processo eleitoral, em que as proposições para a cidade, o estado ou o país são apresentadas, pode-se entender as diferenças de um e outro projeto. Governo e oposição, portanto, constituem-se em um mesmo momento: o governo, composto por escolha da maioria dos eleitores; e a oposição, constituída pela minoria.
É verdade que no sistema político brasileiro, que já foi chamado de um presidencialismo de coalizão, as alianças governativas muitas vezes são constituídas após as eleições. Isso acontece, também, no âmbito dos estados e municípios. E não há nada de errado nisso, já que, mesmo após a votação, os representantes podem concluir que o eleito cumpre uma boa parte dos interesses de seus eleitores e, por isso, resolver compor o governo, embora não tenha sido eleito diretamente para isso.
Como todos sabem, já fui governante – como prefeito e como secretário estadual – e também já fui um cidadão governista, pois embora não tenha feito parte de governos como o de Lula, Dilma e Olívio, apoiava suas iniciativas e defendia os projetos que eles representavam. Creio que cumpri com zelo minhas funções quando estive no governo. É certo que não acertei sempre, mas é certo, também, que agi conforme a Lei, com ética e com abnegação. Nunca fui afastado de minhas funções e nem fui denunciado por algum mal feito ou corrupção.
E quando fui governante sempre respeitei a oposição. Por um motivo simples: quando exercitado com respeito, o ato de criticar, fiscalizar, denunciar, contribui para o governante aprimorar o seu governo. Minha experiência é assim. Não apenas incorporei muitas sugestões oposicionistas a meus governos, como sempre afirmei que o incômodo gerado pelos atos da oposição são fundamentais para uma gestão, porque podem chamar a atenção do governante para algo que não estava em seu radar e porque estabelecem, também, padrões de comportamento no governo. Uma oposição zelosa, quando honrada e ética em seu comportamento, só ajuda e ainda nos faz exercitar a tolerância, um valor fundamental para a política contemporânea.
Hoje sou oposição. Em todos os níveis. Como deputado eleito, inclusive, lidero a maior bancada de oposição ao governo do Estado. Mas sou, como cidadão, também oposição em relação aos governos de Bagé e do Brasil. Cumpro meu papel de oposição com responsabilidade. Tento me comportar como gostaria que a oposição se comportasse em um governo que participo. Não xingo, não desmereço, não produzo Fake News e nem ajo para prejudicar ninguém. Tampouco me nego a dialogar e, até, a contribuir, quando isso é importante e faz diferença para o povo. Mas não me furto de fiscalizar (como deputado e como cidadão) os mal feitos, não abdico de criticar aquilo que acho pode gerar prejuízos para o povo e denunciar coisas que me parecem criminosas para com os direitos da população, como é o caso da dívida que está sendo gerada para com o Fundo de Aposentadoria dos Municipários de Bagé (Funpas).
Ser oposição é, também, participar como protagonista do presente e do futuro de uma cidade, estado e país. Tentar criminalizar atos oposicionistas, portanto, não é uma prática democrática. Vejam, nem mesmo as relações pessoais devem ser afetadas por conta dessas condições políticas. Eu mesmo, por exemplo, fui um forte oposicionista ao governo do Dr. Vargas, mas isso não significou qualquer atrito de ordem pessoal. Ao contrário, como muitos sabem, o convívio político nos aproximou e, hoje, mantenho com ele um relacionamento próximo e fraterno.
É por isso que precisamos saudar a criação do Bloco de Oposição Municipal, o BOM, em Bagé. O BOM é justamente um instrumento organizativo para o exercício sistemático e organizado de uma prática política que é fundamental em qualquer democracia. Ele inaugura um novo modo de a oposição política bajeense se relacionar com a cidade e com os cidadãos. É um pacto que os vereadores, os partidos e eu, como deputado da cidade, fazemos com o povo de Bagé. Um pacto de falar a verdade, dialogar e iniciar um percurso de construção de uma alternativa para a cidade que seja capaz de recuperar aquilo que temos de melhor e que já foi demonstrado por muitos anos de desenvolvimento, melhorias e crescimento da autoestima dos moradores da cidade. Viva o BOM. Viva Bagé.

Líder da bancada do PT na AL

 

Deixe seu comentário abaixo

Outras edições

Carregando...