ANO: 26 | Nº: 6491

João L. Roschildt

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Advogado e professor do curso de Direito da Urcamp
17/10/2019 João L. Roschildt (Opinião)

O fim do Ele & Ela

É uma linguagem comum entre conservadores a ideia de que, para defender a continuidade das tradições, é preferível o diabo conhecido ao diabo desconhecido. Em outras palavras, é mais sensato lidar com os males que são familiares, do que com aqueles que são estranhos à longa experiência humana.

Isso, em hipótese alguma, transforma o pensamento conservador em algo indiferente perante as injustiças do mundo, perpetuando iniquidades e violências, que não contribuem para o aprimoramento humano. Simplesmente afirma que qualquer proposta de mudança social deve ser guiada pela prudência, um instrumento intelectual que possibilita antever as consequências de tal alteração, sem descartar as lições do passado. Revoluções, cartilhas ideológicas e desprezo ao que sobreviveu aos testes do tempo, exatamente por desrespeitarem o que é prudente e sábio, não recebem as boas-vindas dos conservadores.

Em 06/10/2019, o jornal britânico Daily Mail trouxe a informação de que, por causa da busca por “inclusão” e respeito aos alunos transgêneros, está ocorrendo a instalação de um crescente número de banheiros unissex em escolas primárias e secundárias do Reino Unido, o que implica a extinção de banheiros separados por sexo. Com isso, as meninas estão deixando de ir ao sanitário para não compartilhar com os meninos os banheiros de gênero neutro. Qual é a óbvia razão? Sentem-se inseguras e com vergonha. Mas, talvez, para os teóricos da “ideologia de gênero”, vertente sexual do progressismo, tais sentimentos das meninas possam ser desconsiderados em nome da agenda política. Sim! Existe uma “ideologia de gênero” arquitetada por “intelectuais”! E é simplesmente aquela que propõe a perspectiva de que homem e mulher são construções sociais independentes de aspectos biológicos. Afirmar que isso é uma teoria conspiratória ou algo do tipo não passa de ignorância ou maldade, aquele diabo que busca planificar a sociedade em nome de uma causa.

Na reportagem ainda é relatado que algumas meninas estão se recusando de ir ao banheiro “neutro” durante todo o período em que estão na escola, o que as colocaria em risco de contrair infecções urinárias e na bexiga; outras possuem tanto medo que pararam de tomar líquidos na escola; e ainda existem aquelas que preferem ficar em casa durante o período menstrual; uma mãe de duas alunas destaca que os cubículos sanitários das escolas são abertos nas partes superiores e inferiores, o que faz com que alunos mais velhos possam espiar facilmente as meninas. Em fevereiro de 2019, o mesmo jornal informou que as estudantes estavam com receio de ser vítimas de assédio sexual ou estupro. Todavia, em nome da “inclusão” e da “igualdade”, termos que foram escravizados por ideólogos de gabinete, pouco importam os danos físicos e psicológicos ocasionados nas meninas. E é claro que os críticos do banheiro unissex serão chamados de reacionários, sexistas, machistas, fascistas, nazistas e toda sorte de impropérios, que só servem para atestar a imbecilidade de quem profere estes “qualificativos”.

O progressismo é tão virtual que sequer conhece a realidade de um banheiro; muito menos a natureza humana; vive de boas intenções, esquecendo-se propositalmente de que o Inferno está inundado delas; não teme qualquer diabo, afinal, venera a ideologia em detrimento da razão.

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