ANO: 25 | Nº: 6382

Marcelo Teixeira

marceloct@ymail.com
Advogado e professor universitário - Urcamp
19/10/2019 Marcelo Teixeira (Opinião)

O fim do início

Hoje é o terceiro sábado de outubro e para quem, como eu, desde os anos 80, vivenciou e curtiu o horário brasileiro de verão, este momento já era sagrado e aguardado com grande expectativa. Praticamente o marco inicial do verão. Por décadas este fim de semana, apesar de ser o menor de todos com suas 47 horas, representava o início do melhor período do ano para pouco mais de um terço da população brasileira, segundo algum instituto de pesquisa tupiniquim que, como vimos nas últimas eleições, acertaram em cheio o resultado das eleições para presidente.
Minha má vontade com os argumentos utilizados para defender a extinção do horário brasileiro de verão já começa por estes números com baixíssimos índices de confiabilidade, e se amplifica com os supostos efeitos nocivos deste horário à saúde da população.
Partindo do princípio que o Brasil ainda conta com milhões de desempregados e já conta com milhões de aposentados, além dos desalentados, desocupados, crianças etc, dizer que o horário de verão perturba o sono e o descanso de todos não é propriamente um argumento verdadeiro, visto que grande parte da população não precisa cumprir horário diuturnamente. E mesmo as crianças em idade escolar que estudam pela manhã não são tão afetadas assim, visto que, durante o horário de verão, passam a maior parte do tempo em férias.
Ainda que seja incontestável o fato de que a tendência, para quem tem que cumprir horário, é dormir menos durante o horário de verão, é incontestável também que estas horas que estas pessoas ficam acordadas, é um tempo que pode ser bem aproveitado, inclusive podendo melhorar a qualidade de vida delas.
Mas, porém, contudo e todavia, desde o dia 26 de abril deste ano, vigora o Decreto nº 9772, que sepultou este horário de verão que começou em 1985 e durou até o ano passado ininterruptamente, mesmo que editado, reeditado, alterado, regulamentado e reduzido na sua abrangência e duração por dezenas de decretos neste período.
Verdade seja dita, ele não era uma unanimidade e despertava reações extremadas. Quase ninguém era indiferente a ele, ou seja, ou amavam, ou odiavam. Como representante desta suposta minoria que gostava de ver o sol se pôr depois do início do Jornal Nacional, só me resta lamentar e aceitar democraticamente a vontade da maioria aferida por algum instituto de pesquisa pouco confiável (como quase todos) e rezar para que fatos e dados novos possam reverter a situação o mais breve possível.

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