ANO: 26 | Nº: 9492
22/10/2019 Cidade

Em 2020, enfraquecimento do El Niño deve causar redução de chuvas na região da Campanha

Foto: Manuela Bergamim/EspecialJM

Meteorologia projeta baixa preocipitação para o verão
Meteorologia projeta baixa preocipitação para o verão
por Gabriel De Bem
Acadêmico de Jornalismo da Urcamp

Para o próximo ano, está prevista uma redução das chuvas na região Sul, já que o fenômeno climático El Niño está perdendo forças. Atualmente, período de neutralidade climática, a tendência indica uma previsão, para 2020, de ocorrência do evento La Niña, que pode provocar estiagem.
No dia 8 de agosto deste ano, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos divulgou um boletim, oficializando o fim do El Niño em 2019. Esse fenômeno é responsável pelo aquecimento das águas da superfície do Oceano Pacífico Equatorial nas regiões central e leste, próximo à costa do Peru. Já o La Niña é o contrário, refere-se ao resfriamento das águas naquelas regiões oceânicas. Esses eventos influenciam diretamente no clima do Brasil.
Com o fim do El Niño, o Sul pode enfrentar falta de chuva durante a safra de verão em alguns momentos, já que a umidade estará mais concentrada entre Centro e Norte do País. Em anos do El Niño, as chuvas se concentram, principalmente, na região Sul do Brasil e é durante esses períodos que a produção agrícola tem mais resultados produtivos satisfatórios na região.
É importante lembrar que estiagem e seca são dois casos diferentes. A estiagem é um fato até normal, que acontece durante o verão na região. Entretanto, a seca só é considerada, por exemplo, quando se ultrapassam períodos de 25 dias sem chuva no verão.
De acordo com o pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, que trabalha na área de Agrometeorologia, Gustavo Trentin, existem três tipos de eventos, o El Niño, La Niña e anos de neutralidade climática. Segundo ele, o caminho para 2020 é de um ano neutro e de La Niña, quando as chuvas tendem a reduzir e, logo, diminuindo a produção agrícola. "A característica desses anos é ficar um período de 10 a 20 dias sem chuva. Mas quando essas chuvas ocorrem, será um período curto, de um a dois dias, no máximo, e de alta intensidade. Só que esses valores totais são inferiores aos valores normais de precipitação nos meses de verão. Mas isso ainda acaba sendo insuficiente, nos períodos quentes", aponta o pesquisador.
Daeb em monitoramento
Segundo a assessoria do Departamento de Água, Arroios e Esgoto de Bagé (Daeb), as chuvas, em outubro, totalizaram 228,1 milímetros, mais que a média mensal, que é de 205,9 mm. Com isso, os reservatórios estão cheios, porém, com o aumento da temperatura no decorrer dos meses, o Daeb pretende realizar o acompanhamento dos níveis dos reservatórios, das precipitações e do consumo da população.
A solicitação do Departamento é que, com a estiagem, as pessoas façam o uso consciente do hídrico, cuidando das práticas de reaproveitamento, como vazamentos, torneiras pingando, evitar lavar o carro com mangueira e outros meios de desperdício de água.
Histórico
Há sete anos, os bajeenses enfrentaram um racionamento, em que a cidade foi dividida em dois setores, e era disponibilizado água durante 12 horas por dia para cada lado. A zona Leste era abastecida das 3h às 15h e a Oeste era das 15h às 3h. Na época, o Daeb precisou reativar os poços artesianos dos bairros Malafaia e Floresta, para atender a demanda. Em 2012, a barragem Sanga Rasa também ficou sete metros abaixo do nível normal.
Já no verão deste ano, as chuvas foram moderadas, visto que o fenômeno El Niño predominou em 2019. A região teve uma intensificação das frentes frias, com aumento dos episódios de chuva, maior incidência de nebulosidade e redução de luminosidade.

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