ANO: 25 | Nº: 6406
25/10/2019 Fogo cruzado

Decisão do TRE-RS repercute no Legislativo bajeense

Foto: Sidimar Rostan/Especial JM

Sonia Leite leu discurso durante pronunciamento na tribuna
Sonia Leite leu discurso durante pronunciamento na tribuna
A decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS), que cassou o diploma do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Luís Augusto Lara, do PTB, declarando a inelegibilidade do prefeito de Bagé, Divaldo Lara, do PTB, pautou os discursos dos vereadores bajeenses, durante a sessão ordinária de ontem, a primeira após o julgamento da Corte. Integrantes da oposição não pouparam críticas ao chefe do Executivo. Representantes da base exaltaram realizações da gestão, reiterando apoio aos petebistas.
Os parlamentares fizeram poucas referências a Luís Augusto Lara. A decisão do TRE-RS também o declarou inelegível. O deputado e o prefeito, por meio de suas defesas, já adiantaram que devem recorrer, medida que suspende os efeitos até novo julgamento. Rafael Rodrigues (Fuca) abriu os pronunciamentos, falando em tom de ponderação. O vereador salientou que pretende seguir acompanhando o governo. O discurso de Antenor Teixeira, do Progressistas, não diferiu muito. O parlamentar também solicitou cautela no tratamento do assunto.
As lideranças do PT, da Rede e do PSB, que compõem a oposição, mudaram o tom. Lélio Lopes (Lelinho), líder da bancada petista, foi enfático, criticando os integrantes da base. “Quem deve favor ao governo, vai defender até o fim”, alfinetou, após elencar denúncias apreciadas pelos desembargadores. A vereadora Beatriz Souza, líder da Rede, provocou uma avaliação sobre a função do Legislativo. “Temos que ser cobrados, sim. É um amadurecimento necessário. Tenho orgulho de me manter firme no meu posicionamento. Cobramos e vamos seguir cobrando. Não fazemos oposição por oposição. Fazemos fiscalização e apontamos os erros”, pontuou.
Integrantes da bancada petebista reagiram. O líder partidário, Geraldo Saliba, destacou ações da administração. O líder do governo na Câmara, Graziane Lara, agradeceu às manifestações de ‘apoio à família e ao reconhecimento pelo trabalho desempenhado à cidade’. Ele lembrou que Luís Augusto e Divaldo recorrem da decisão. “Meu deputado está trabalhando, e muito”, observou. Antes de criticar a oposição, o presidente do Legislativo, Carlos Adriano Carneiro (Esquerda), também do PTB, definiu a administração de Divaldo como ‘a melhor gestão da história do município’. “O que acontece no Brasil é uma inversão de valores. Quando Lula foi condenado, era uma decisão política. Quando foi preso, era uma decisão arbitrária. O PT e seus aliados foram para as ruas gritar Lula livre. Sou base de governo (municipal). Sou presidente de um partido, com muito orgulho, por toda a história que construiu no município de Bagé. Nesse julgamento, do qual cabe recurso, acredito na Justiça”, disse, antes de avaliar que ‘algumas decisões judiciais têm influência nos partidos e em suas lideranças, e outras têm influência na vida dos bajeenses’, exemplificando com o embargo da barragem da Arvorezinha.
A vereadora Sonia Leite, do Progressistas, se manifestou lendo um discurso na tribuna. Mais tarde, seu posicionamento foi compartilhado, na íntegra, através de páginas em redes sociais. Ela iniciou sua fala salientando ter apostado em um projeto que ainda acredita. “Fizemos tudo para tirarmos do poder o PT de Bagé, e conseguimos. E é nosso desejo que nunca mais retorne, pois institucionalizaram a corrupção no País, arrastando todos os partidos, inclusive o nosso. Posso dizer abertamente que nunca compactuei com os mal feitos. Hoje, estou diante de uma situação que jamais pensei em vivenciar. Tinha esperança total de que em nada iria me decepcionar”, disse.
A parlamentar salientou, ainda, que sempre foi ‘clara, ética e fiel, até o último momento.
“O prefeito Divaldo Lara teve todo meu apoio para concretizar as coisas boas para a cidade, mas não compactuo e não compactuarei com coisas erradas. Não apago nada do que sempre defendi na tribuna. O prefeito Divaldo fez e estava fazendo o que o PT não fez em 16 anos”, observou. “Minha vida é norteada pelos meus princípios, valores e ética. Afirmo que não usarei dois pesos e duas medidas, não como o PT fez. Eles acreditam, hoje, no Ministério Público e desembargadores, e, no caso do Lula, eles pedem Lula livre. Sou coerente com o que sempre cuidei e cuido em minha trajetória política. Não vou compactuar com erros”, reforçou.
Sonia também lamentou que o ‘Tribunal Regional Eleitoral apontou irregularidades e favorecimento da máquina pública, determinando cassação dos direitos políticos, por oito anos, do presidente da Assembleia e da mesma forma o prefeito Divaldo’. “Esse meu posicionamento de hoje, o faço, com muito pesar, pois acreditei que seria possível termos novos rumos dentro da política da nossa cidade. Mas como a vida é feita de esperança, hoje irei apostar na continuidade deste projeto que acreditei, e acredito que, através do prefeito Manoel Machado, já está conduzindo da melhor forma possível nossa Rainha”, salientou, ao afirmar, ainda, que não apoiou nenhuma ilicitude.“Eu estou aqui para somar, junto aos colegas vereadores, a busca de uma cidade que está em pleno desenvolvimento”, reiterou.

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