ANO: 26 | Nº: 6588

Egon Kopereck

egonkopereck@gmail.com
Pastor da Congregação Evangélica Luterana da Paz
26/10/2019 Egon Kopereck (Opinião)

Martinho Lutero e a Bíblia

Amigos leitores!

A Igreja Luterana vive dias muito significativos em sua história. No próximo dia 31 de outubro, estaremos lembrando e comemorando os 502 anos desde que o doutor Martinho Lutero deu início à Reforma doutrinaria na Igreja. Numa época em que vários erros doutrinários haviam se infiltrado na Igreja, Lutero, fundamentado no que dizia a Bíblia, afixou 95 teses na porta da igreja de Wittenberg, na Alemanha, defendendo a salvação pela fé, como presente de Deus, e não por mérito ou esforço nosso. E isso, afirmava ele, é o quer a Bíblia diz, citando textos como Romanos 1.17, Romanos 3.28, Efésios 2.8 e 9, e outros similares. É na Bíblia que devemos buscar orientação e segurança. É ela, e somente ela base, fundamento para todo o ensino e verdade espiritual.
Lutero amava a Bíblia, defendia seu uso, sua importância e, especialmente, seu conteúdo. Para que o povo alemão pudesse ter acesso a ela, Lutero se dedicasse a traduzi-la para o idioma alemão. Primeiro ele traduziu o Novo Testamento do original grego, contando com a ajuda do amigo e colaborador, Felipe Melanchthon. O Novo Testamento, foi publicado em 1522, com uma tiragem inicial de 3.000 exemplares, o que rapidamente foi vendido. No primeiro ano, foram vendidos 6.000 exemplares, o que, para a época, foi um número muito expressivo. A Bíblia toda, só foi publicada em 1534, depois de ser revisada por especialistas nas línguas originais, professores da Universidade de Wittenberg. Sobre esse trabalho, Lutero declarou que esse foi um trabalho excelente, abençoado por Deus, mas o seu maior desejo era ver o povo tendo acesso à Palavra, e aproveitando o que Deus nos deixou para crescimento e fortalecimento na fé. É através da Palavra que Deus se relaciona com o ser humano. Esse é o meio. E aí Lutero afirmou:
"Eu ficaria bem contente em ver meus livros, um e todos, ficarem na obscuridade e afundarem no mar. Entre outras razões, porque tremo ao pensar no exemplo que estou dando, pois estou bem ciente quão pouco proveito a Igreja teve desde que se começou a coletar muitos livros [...] ao lado das Escrituras Sagradas. [...] por esta prática não só perdeu-se tempo precioso que poderia ser usado para o estudo das Escrituras, mas porque no fim o puro conhecimento da Palavra divina também se perdeu [...] Pois todos os outros escritos devem dar a primazia e apontar para as Escrituras [...] (Ninguém) o fará tão bem como as Santas Escrituras, i. e., tão bem como Deus o fez [...] Por isso nos convém deixar os profetas e apóstolos ficarem na cátedra do professor e nós, bem abaixo a seus pés, ouvindo o que dizem. Não são eles que devem ouvir o que dizemos."
Àqueles que se opunham à Bíblia ou contestavam sua mensagem ele dizia: "Jamais foi escrito sobre a face da terra um livro mais claro do que a Escritura Sagrada; em relação a outros livros, ela é como o sol comparado a todas as outras luzes. Os que se posicionam contra ela só querem nos levar para longe da Escritura e assumir o lugar de mestres sobre nós, com o intuito de que venhamos a crer em suas pregações, que não passam de pura ilusão."
Onde a Bíblia silencia, está dentro da nossa liberdade agir, mas não podemos aí radicalizar ou firmar doutrina, pois pertence ao campo da liberdade cristã. Amigos leitores! Ainda hoje a Bíblia é a lâmpada para os nossos pés e a luz para nossos caminhos (Salmo 119.105). Façamos uso dela, e nela busquemos consolo e orientação. Um grande abraço a todos!


Pastor da Congregação Ev. Luterana da Paz

 

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