ANO: 25 | Nº: 6397

Dilce Helena Alves Aguzzi

dilcehelenapsicologa@gmail.com
Psicóloga
29/10/2019 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Geração "nem-nem"

Geração "nem-nem" é a faixa da população jovem, e por vezes nem tanto, que nem estuda, nem trabalha, nem quer, pois pensa que não precisa.
Os nem-nem são um fenômeno mundial. As causas que levam a tal situação são muitas, entre as mais significativas figura o estilo de vida escolhido pelas famílias para criar seus filhos.
Os nem-nem não estudam nem trabalham não porque não conseguem emprego ou não têm como estudar, eles assim estão porque querem. Não trabalham porque acreditam que não precisam, tem tudo em casa e não vão acordar cedo por um mísero salário ao final do mês. Muitas vezes se apegam a ideias como "meus pais não gastaram uma fortuna em educação para eu me submeter a subempregos". Por trás dessa falta de humildade existe a superproteção de mamães e papais que interferiram sempre, não permitindo que o filho passasse jamais por qualquer tipo de dificuldade. Os nem-nem têm pais muito semelhantes, são aqueles que brigaram com todos que interagiram com seus "príncipes e princesas" por não os tratar com a mesma distinção: professores, colegas, pais de colegas. E mais: trocaram de escola ou de atividades extracurriculares várias vezes em função do que consideram grave injustiça.
Esse tipo de atitude tende a gerar adultos inseguros, com baixa autoestima e nenhuma aptidão para assumir riscos, ou seja, a própria radiografia emocional da geração nem-nem.
O fenômeno parece estar associado a um prolongamento indefinido da adolescência, período em que o jovem transita emocional e fisicamente entre a infância e a vida adulta.
Os nem-nem mantém por conta própria essa condição e tem o hábito de depositar a culpa por toda a sua condição de dependência nos pais. Repassam indefinidamente aos pais a responsabilidade por todas as escolhas que fizeram ou deixaram de fazer. Se os pais, que trabalharam muito para proporcionar toda a segurança aos filhos - e por isso mesmo estiveram física e afetivamente ausentes, aceitarem esta culpa está feito o ciclo vicioso e o filho jamais crescerá, a não ser que o ciclo seja rompido.
Certas habilidades só são adquiridas na prática. Assumir riscos e aprender a cuidar de si mesmo entram nessa categoria. Difícil é definir quando o jovem está apto para isso. Mas, por medo de que os filhos não estejam prontos, pais têm adiado demais expô-los a essas experiências. Fato é que atualmente com tanta permissão, para chegar tarde; para trazer amigos e namorados para dormir em casa; para ficar confuso; para dar um tempo em tudo; para, inclusive, depositar a culpa de cada fracasso nos pais, ninguém terá motivação para assumir riscos e querer sair de casa!
Importante repensar que adultos estamos formando ou que adultos estamos nos tornando. Ser adulto é assumir responsabilidades. Enquanto a culpa é dos outros, ainda não somos adultos. A quem interessa que haja um batalhão de inseguros, covardes, imaturos pseudo adultos sem ambições ou vontade de assumir riscos? A quem interessa que haja a multidão de comandados por modismos, emocionalmente frágeis e tendendo a resolver com medicação o que seria resolvido por experiência e força adquiridos com fracassos e aprendizados, vivências que estão além do quarto, além da casa dos pais?

(Tema publicado no Jornal Minuano em 25/10/2016 tendência de comportamento que vem se confirmando e aumentando, o que justifica a reprise da reflexão).


"Ser adulto é assumir
Responsabilidades"

Deixe seu comentário abaixo

Outras edições

Carregando...