ANO: 25 | Nº: 6382

Viviane Becker

viviminuano@hotmail.com
Colunista social do Jornal Minuano, Viviane Becker é experiente jornalista de geral e conhecida editora do caderno de variedades Ellas.
01/11/2019 Caderno Ellas

O que você está fazendo com a sua vida?

Foto: Reprodução JM

Adriana Di Lorenzo
Psicóloga e Psicoterapeuta Psicanalítica
adridilorenzo@uol.com.br

 

A primeira vez que vi Amyr Klink foi na televisão. Parece que foi ontem. Estava na sala com a minha irmã quando o telejornal mostrou imagens desse navegador brasileiro. Aliás, da primeira pessoa no mundo que fez uma travessia solitária do Atlântico Sul que durou 100 dias em um barco a remo! Isso mesmo! 100 dias em um barco a remo! E sozinho! Lembro-me exatamente do que pensei: “Esse cara é louco”!

Só voltei a encontrá-lo em 1989. No programa de rádio “Sala de Redação”. Meu pai tinha por hábito escutá-lo diariamente ao meio-dia. E num daqueles programas, aquela turma que o pai adorava - que deveria falar sobre futebol e acabava falando sobre tudo – comentava sobre o novo livro de Amyr Klink “Paratii: entre dois pólos”. Nele, o navegador descreve que resolvera construir seu próprio barco para seu projeto de viagem ao extremo sul do mundo. Só que tivera a ideia de passar um ano inteiro na Antártica, sendo que seis meses imobilizado no gelo. Um desafio e tanto, mesmo para os dias de hoje! E apesar das imensas dificuldades dessa inóspita e solitária travessia, ele assim o fez !!!

Os radialistas estavam super emocionados, pois Amyr Klink conseguira de lá da Antártica sintonizar a Rádio Gaúcha, mais precisamente o programa que meu pai tanto gostava, Achei tudo aquilo inusitado, hilário. E não tive dúvida, resolvi ler a obra, a fim de conhecer esse “louco” navegador um pouco melhor.

A partir daí, não parei mais de acompanhá-lo. Outros livros vieram, assisti a algumas entrevistas, porém foi somente agora, em 2019, que tive o privilégio, assim como a nossa querida Bagé, de conhecê-lo pessoalmente.

Esse “maluco” e por que não, brilhante navegador, escritor, palestrante e renomado projetista de embarcações, que já fez mais de 40 viagens oceânicas, esteve recentemente por aqui palestrando no Ginásio Auxiliadora. Para quem se nega a sair da sua zona de conforto, a fala de Amyr Klink, talvez, não tenha soado muito bem. Klink falou sobre fracasso, sobre nossa cultura adepta à “cultura americana” de valorizar somente o sucesso, o final do caminho, e não “O Caminho”. O navegador nos lembrou que em cada sucesso tem sempre um monte de fracasso. “Eu fracassei muito durante bastante tempo, meus projetos demoravam para acontecer”.

Klink nos convida a olharmos para os nossos problemas, para literalmente abraçá-los. Drummond já nos alertara sobre as pedras. Sempre haverá pedras no meio do caminho. É inevitável! A questão é o que você fará com suas pedras. Você pode escondê-las, jogá-las para baixo do tapete. Outra solução é maquiá-las. Ou você pode fazer diferente. Pode encará-las, ou, assim como sugere o navegador, pode abraçá-las! Para ele, fugir está fora de questão. Fugir pode adoecer você e, em alguns casos, pode até matá-lo aos poucos.

Amyr Klink nos incentiva a valorizarmos nossa cultura, nossa história. A história na qual somos protagonistas. E para isso temos que ter história para contar. Afinal, como ele mesmo diz, a beleza de navegar é que não tem como escapar do caminho. E o caminho faz parte da nossa vida! Da nossa história!

Por isso, como dizia Fernando Pessoa, segue o teu destino. Rega as tuas plantas. Ama as tuas rosas. Temos todos que vivemos uma vida. Uma vida que é vivida! E ela é sua! A vida é o que fazemos dela! A questão é o que você está fazendo com a sua?

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