ANO: 25 | Nº: 6386

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
02/11/2019 Airton Gusmão (Opinião)

Um vida com sentido e esperança

"A vida é como uns deveres que se trazem da escola pra fazer em casa... E, quando se vê, já são seis horas!... Mas, ainda há tempo. Quando se vê, já é sexta-feira!... Mas, ainda há tempo! Quando se vê, já se tem oitenta anos! Não há mais tempo!... Daí imploramos pra que nos dêem uma nova chance, pois não temos mais tempo pra sermos reprovados na escola da vida! Mas, não há mais tempo!..." (Mário Quintana).
Quantas vezes já pronunciamos ou ouvimos esta frase: "A esperança é a última que morre"? Nestes dias em que lembramos os nossos falecidos e celebramos todos os Santos, somos convidados a refletir sobre o mistério da vida, que um dia nasce, desperta, se desenvolve e chega, mais cedo ou mais tarde, ao seu término. Por isso, precisamos pensar sobre o sentido da existência e também da morte. Daí porque faz bem cultivar uma vida com sentido e esperança.
Mesmo que hoje, por várias razões e influências, muitas pessoas 'comportam-se como se Deus não existisse', ou vivem sob o signo da 'morte de Deus'; podemos afirmar que, em geral, as pessoas continuam religiosas, pensam para além da existência humana; aceitam que o ser humano é também um ser espiritual, aberto a uma transcendência; que há um sentido para o viver e para o morrer; que existe uma esperança maior.
O mundo, a sociedade, pelas experiências e aprendizados, nos apresentam muitas esperanças, e precisamos delas, pois elas nos mantém no caminho, na busca de realizações, de conquistas. Porém, sem a grande esperança, com "e" maiúsculo, elas não bastam. Esta grande esperança para nós é Deus; mas não qualquer um, mas aquele Deus que possui um rosto humano e que nos amou até o fim.
"O tempo vivido na esperança – a irmã mais nova, como cantava Péguy, que tem por mão e guia as irmãs mais velhas, a fé e a caridade – é um tempo de graça que nós, atualmente, moradores do tempo, vivemos, na espera de sermos chamados a nos tornar moradores da eternidade. A esperança é a condição filial (o ser filhos do Pai celeste em Jesus, que é o todo da vida cristã), vivida em relação ao futuro: porque 'desde já somos filhos de Deus, mas o que nós seremos ainda não se manifestou. Sabemos, porém, que por ocasião dessa manifestação, seremos semelhantes a ele porque o veremos tal como ele é '(1Jo 3,2)" (Eu creio na Vida eterna, Carlo Maria Martini).
Em 2007 o então Papa Bento XVI escrevia uma Carta Encíclica, chamada "Spe Salvi", 'Salvos pela esperança'. Entre outras coisas, ele nos lembrava dos lugares de experiência da esperança cristã: a oração, o agir e o sofrer e o Juízo. Sobre a oração ele dizia que "orar não significa sair da história e retirar-se para o canto privado da própria felicidade. O modo correto de rezar é um processo de purificação interior que nos torna aptos para Deus e, precisamente desta forma, aptos também para os homens. É a oração que nos torna capazes da grande esperança".
Falando que a grande esperança, apoiada nas promessas de Deus, nos impulsiona a agir até mesmo quando, no plano humano, já não existe motivo para esperar, ele afirma que "toda ação séria e reta do homem é esperança em ato"; e que a esperança dá ao ser humano a coragem para enfrentar o sofrimento e, através deste, amadurecer, "pela união com Cristo que sofreu com infinito amor".
Por fim, como lugar de experiência da esperança, temos a perspectiva do juízo final de Deus que, embora não seja uma realidade presente, mas futura, o juízo final suscita a esperança porque elimina o mal. A imagem do juízo final não é, ao mesmo tempo, esperançosa e assustadora; porém, "é uma imagem decisiva de esperança, mas que, ao mesmo tempo, apela para a responsabilidade".
Cultivemos sempre a esperança cristã. Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade!

 

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