ANO: 25 | Nº: 6382
04/11/2019 Luiz Coronel (Opinião)

Balas de hortelã


Ó senhores decisórios, cujas canetas decidem os rumos de nossos dias, observai esses meninos que colocam pacotinhos de bala de hortelã nos retrovisores dos carros nas sinaleiras, aprendei com eles a decidida e corajosa rapidez com que se movem. São meninos e meninas, a idade conta-se nos dedos das mãos. Enfrentam o arranque dos carros, cronometram seu tempo, correm como velocistas pelas ruelas entre os carros. E recolhem os eventuais tostões oriundos da aquisição de seu produto de tão frágil apelo de consumo.
As leis - Sim, as leis. Com elas, por elas, e nunca as contrariando, curvemo-nos todos a sua majestade. E assim teremos uma sociedade ordeira. Só por curiosidade, pergunto: - No Brasil Império, a lei estabelecia o direito à aquisição e venda de escravos? Ia mais longe, concedia o direito à chibata e à marcação a ferro em brasa aos escravos fujões? Pergunto, então, aos senhores "garantistas", se ao passarem pelo pelourinho, vendo um escravo em seu martírio, sairiam assobiando uma mazurca, lívidos, reconhecendo que se cumpria a plena vontade da lei? Se a lei não vestir o manto sagrado da justiça temos justos argumentos para erguer nosso protesto e dizer que a lei caiu na vida.
O poder das ideias - O ambiente é de denso silêncio. Estamos no Café de la Régence, em Paris, no ano de 1844. É um espaço que reúne aficionados do jogo de xadrez. Sentam-se à mesa dois jovens. O primeiro deles tem 23 anos; o outro, 26 anos. O plano deles não cogita prazeres ou festas. É imodesto: revolucionar o mundo. Estamos falando de Engels e Max. De suas conversas, nasce o Manifesto Comunista, que virá fundamentar a Revolução Russa de 1917, edificar a URSS e, alastrando sua trilha de fogo e esperança, dominar a China e repercutir mundo afora. Por favor, não faço apologia ao comunismo, ideologia que acredito ter cumprido sua jornada no trôpego andar da humanidade. Quero, sim, revelar o poder catalisador das ideias. E perguntar:que ideias fecundam os tempos que vivenciamos? Viajamos em estradas sem setas. Não há um guichê de passagens no balcão das ideias. A "Revolução dos Engenheiros",como bem podemos denominar a "era da informática" não tem doutrina. Tem apenas dominação e regência sobre nossas vidas. Não tem uma reflexão de filósofos, ideólogos, profetas que lhe anteceda ou proponha. É obra de laboratórios.
Caminhos - Quando a esperança traça os caminhos da história, vivemos dias iluminados. Quando o desassossego, o ódio e a inconsistência resolve pautar os caminhos dos novos tempos, teremos tempos nublados e até mesmo dias tempestuosos nos aguardam.

 

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