ANO: 25 | Nº: 6386

Dilce Helena Alves Aguzzi

dilcehelenapsicologa@gmail.com
Psicóloga
05/11/2019 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Seja atencioso. Ainda há tempo

Hoje em dia quando alguém dispensa a outro ser humano a mesma atenção que dá ao celular já sentimos uma espécie de alívio, quase uma felicidade.
Sem dúvida alguma não é de caso pensado, com certeza não é por maldade ou para que as pessoas sintam-se desprestigiadas ou desimportantes que os objetos tem sido o centro das atenções em detrimento das pessoas. O fato é que ninguém consegue competir com as redes sociais, joguinhos eletrônicos e com tanta tecnologia na mão de todos e disponível o tempo todo!
Assim como num cursinho de boas maneiras, ou melhor, na educação básica recebida desde sempre em casa se ensina que não devemos falar de boca cheia, desrespeitar quem quer que seja e dominar as técnicas de convivência que envolvem "me perdoa, com licença, por favor e muito obrigada" deve vir também, e com prioridade, o uso adequado das tecnologias. É muito desatencioso e indelicado dar prioridade a uma comunicação virtual quando na presença física de alguém, que na maioria das vezes fica sem jeito, pois seu provável interlocutor está rindo sozinho e olhando para um aparelho em sua mão!
O que dizer das pessoas que caminham sozinhas falando sem nada ouvir pois não estão falando propriamente com ninguém estão apenas gravando uma mensagem de áudio?
E as tantas vezes que não conseguimos ver um espetáculo, de dança, música, teatro, palestra, apresentações de final de ano, etc., pois a pessoa a nossa frente insistentemente interpõe seu celular em nosso campo visual para gravar todas as cenas possíveis?
A pretexto de não perdermos nada, nenhuma data, nenhum vídeo, mensagem, notícia, pergunta, piada, conversa, imagem - o que realmente estamos perdendo? De tanto cuidado em guardar para a eternidade momentos preciosos registrados em nossas câmeras quantas pérolas do dia a dia estamos deixando escapar vivendo parcialmente? Será que vamos assistir a tantos vídeos gravados? Será que ao resgatarmos tantas e tantas fotos e selfies conseguiremos recuperar o tempo perdido, as pessoas que não demos atenção, o tempo desperdiçado, os abraços que não demos, os olhares que não trocamos, a presença física que não vivenciamos...? Sim, ser minimamente atencioso atualmente é requisito valioso, afinal podemos educar nossos sentidos, podemos educar também nossos afetos. Ainda há tempo.



Um cursinho de boas maneiras
para uso das tecnologias

Deixe seu comentário abaixo

Outras edições

Carregando...