ANO: 25 | Nº: 6382

Marcelo Teixeira

marceloct@ymail.com
Advogado e professor universitário - Urcamp
09/11/2019 Marcelo Teixeira (Opinião)

Automalvadezas


Quem acredita em horóscopo, consciente ou inconscientemente, acredita que existem 12 tipos de pessoas. Doze espécies de personalidades influenciadas e determinadas pelo período do ano que nasceu. Parece, porém, que doze categorias são insuficientes para enquadrar tanta variedade e diversidade de temperamentos humanos, tanto que os astrólogos consideram a influência dos decanatos e dos ascendentes, multiplicando sensivelmente estas variáveis originais.
O horóscopo chinês, menos popular entre nós, também divide as pessoas em 12 espécies, mas, diferentemente do zodíaco, as variações não são determinadas por ciclos mensais, mas sim por ciclos anuais.
Isso tudo, além de reforçar a crença de que o número doze é um número místico ou simbólico em diferentes culturas (12 são os signos, os meses, os apóstolos, as tribos de Israel, as horas do dia e da noite etc.), ainda revela o desejo humano incontido de categorizar ou classificar as pessoas pela sua forma de agir e pensar, colocando-as dentro de "caixinhas". E o número doze que, em tese, parece pouco para tanta diversidade humana, até que é generoso se comparado com o maniqueísmo predominante hoje em dia, quando nos vemos divididos em apenas duas categorias opostas: esquerda ou direita, contra ou a favor, de bem ou do mal, colorados ou gremistas, anjos ou demônios, coxinhas ou mortadelas, ximangos ou maragatos etc. Se doze é pouco, imagina duas!
Além destas categorizações tradicionais, mais ou menos amplas, ainda tem as que a gente inventa. Aprendi com o meu pai uma categoria muito específica e aparentemente desvinculada de qualquer outra. Meu pai dizia que existiam pessoas que não faziam mal pra ninguém, exceto para elas mesmos.
O perfil é quase sempre o mesmo: pessoas amáveis, simpáticas, disponíveis, inofensivas, sem maldade, eventualmente carismáticas, invariavelmente com algum ou muitos talentos desperdiçados ou subaproveitados, mas que, infelizmente, não se cuida, não tira melhor proveito de suas habilidades ou competências, se conforma, não reage, não tem atitude e dificilmente cogita sair de sua zona de conforto. Quem não conhece alguém assim?
Nestes tempos em que, para ajudar, basta não atrapalhar, o simples fato de não fazer mal a ninguém já é suficiente para alguém merecer nossa admiração e consideração e, assim, o nosso desejo de que o destino seja mais justo ou generoso com o vivente. Todavia, nossa perspectiva do que seria bom para outra pessoa não necessariamente coincide com aquilo que ela almeja. A gente fica com vontade de ajudar e até tenta ajudar, mas quando percebe que a própria pessoa não se ajuda, aí fica difícil insistir. Nesse caso, só nos resta compreender que todos somos autores do próprio destino e deixar a pessoa continuar fazendo mal para ela mesma!

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