ANO: 25 | Nº: 6406

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
15/11/2019 Airton Gusmão (Opinião)

Esperança cristã ativa


"O homem, na sucessão dos dias, tem muitas esperanças – menores ou maiores – distintas nos diversos período da sua vida. Torna-se evidente que o homem necessita de uma esperança que vá mais além. Vê-se que só algo de infinito lhe pode bastar, algo que será sempre mais do que aquilo que ele alguma vez possa alcançar. Precisamos das esperanças que, dia após dia, nos mantém a caminho. Mas, sem a grande esperança que deve superar todo o resto, aquelas não bastam. Esta grande esperança só pode ser Deus, mas não um deus qualquer, mas aquele Deus que possui um rosto humano e que nos amou até o fim" (Carta Encíclica Sobre a Esperança Cristã, Bento XVI, nº 30 e 31).
Estamos chegando ao final do Ano Litúrgico e somos convidados a refletir sobre a esperança cristã ativa que nos desafia, diante dos sofrimentos, a sermos, hoje, cristãos e comunidades eclesiais missionárias, testemunhas dos valores do Reino de Deus. É o que ouvimos no Evangelho de Lucas: "Cuidado para não serdes enganados; haverá terremotos, fomes e pestes; sereis presos e perseguidos, postos na prisão; todos vos odiarão por causa do meu nome. Esta será a ocasião em que testemunhareis a vossa fé. É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida" (Lc 21,5-19).
Utilizando uma linguagem chamada apocalíptica, o evangelista procura falar da importância de se manter viva a esperança das comunidades cristãs que vinham sendo perseguida pelo império romano, por seguirem Jesus Cristo. Com isso, os cristãos são testemunhas do compromisso com a justiça e os valores do Reino, depositando toda a esperança no Deus da vida.
Diante do contexto de guerras, perseguições e sofrimentos que passam os cristãos, é importante não desanimar e ter a consciência de que é, justamente diante destes desafios, que os discípulos são convidados a professar sua fé em Jesus crucificado e ressuscitado. Por isso, é necessário confiar na ação de Deus, mesmo diante do conflito e da morte, pois é permanecendo firmes que ganharão a vida.
Esta convocação de Jesus Cristo a permanecer firmes na esperança, no testemunho do seu seguimento, em estado de vigilância, de oração e discernimento diante dos apelos do Senhor, precisa ser ativa, marcada pela caridade, pela busca da justiça do Reino. Esta promessa de que "é permanecendo firmes que ireis ganhar a vida" pode ser interpretada em um sentido escatológico, como recompensa prometida aos justos ou aos mártires; ou pode ser entendida também como a vida cristã, como participação no mistério pascal de Cristo.
"Já desde os primeiros tempos, a perspectiva do Juízo influenciou os cristãos até na sua própria vida cotidiana, enquanto critério segundo o qual ordenar a vida presente, enquanto apelo à sua consciência e, ao mesmo tempo, enquanto esperança na justiça de Deus" (Carta Encíclica Sobre a Esperança Cristã, Bento XVI, nº 41). No Discurso escatológico, Jesus define a missão da Igreja na História como aquela de dar testemunho da Boa Nova e construir o Reino, mesmo em meio às adversidades e perseguições. Por isso, que lembrando o Dia Mundial dos Pobres, neste 3º domingo do mês, nos é recordado que é preciso reanimar a esperança e restabelecer a confiança dos pobres.
Para a fé cristã, a pobreza e a marginalização não são apenas uma questão sócio-política e ética, mas também e mais radicalmente uma questão espiritual que diz respeito à nossa relação com Deus, a nossa salvação. Neste sentido, é importante lembrar que a situação em que vivem os pobres é critério escatológico para medir a adesão ou rejeição de um povo ou de uma sociedade ao Deus que se revela na história de Israel e na vida de Jesus Cristo (Lc 10,25s; Mt 25,1-40). Assim, os pobres e marginalizados são tanto os juízes da vida democrática de um país, quanto o protocolo com base no qual seremos julgados ou o passaporte para o paraíso.
Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade!

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