ANO: 25 | Nº: 6403

Marcelo Teixeira

marceloct@ymail.com
Advogado e professor universitário - Urcamp
15/11/2019 Marcelo Teixeira (Opinião)

Quarenta em cinquenta

Nos últimos dias, celebramos o cinquentenário do curso de Direito da Urcamp e, na condição de professor mais antigo do corpo docente, fui instigado a relembrar boa parte dessa trajetória toda. Foi impossível não me emocionar visto que a história do curso, assim como da instituição, acaba se confundindo com a minha história pessoal.
Minha relação com a Urcamp começa muito antes do meu ingresso como aluno no início da década de 80. Minha mãe já era acadêmica do curso de Estudos Sociais desde 1972 e meu pai, convidado por Tarcísio Taborda, começou o seu magistério no curso de Direito em 1975, quando eu tinha apenas dez anos de idade. Mais tarde, em 1977, minha mãe, também, começou sua carreira como docente na, então, FUnBa (Faculdades Unidas de Bagé).
Como filho de professores da casa, comecei muito cedo a frequentar o ambiente do bloco B e suas indefectíveis rampas, detalhe arquitetônico moderníssimo na época, antecipando em décadas o conceito que hoje denominamos de acessibilidade.
Ainda hoje, vejo crianças encantadas quando conhecem as rampas do bloco B e não resistem à tentação de subir e descer correndo pelos seus lances. Lembro que meu sonho de infância era descer aquelas rampas com um carrinho de rolimã.
Nem imaginava que me tornaria acadêmico do curso de Direito e, a partir de 1983, descer e subir aquelas rampas se tornaria a atividade física cotidiana mais frequente de toda minha vida. Desde os tempos de guri, quando subia e descia correndo, até hoje, quando chego no terceiro piso, no limite da minha capacidade respiratória, quase botando os bofes para fora.
Concluí meus estudos em 1987 e, em 1989, ingressei no corpo docente, muito jovem. Tanto que, por anos, fui o caçula da congregação. Mas acabei ficando tanto tempo que alcancei a condição de decano, o professor mais antigo. De caçula a decano sem escalas, sem interrupções, sem exercer qualquer outro cargo ou função que não a regência de classe. Paralelamente a isso, desde 2000, com raros intervalos, escrevo, semanalmente, como articulista colaborador deste Jornal.
Durante todo esse tempo, fui testemunha ocular e presencial do crescimento das instalações físicas e da evolução acadêmica da Instituição com a transformação da FUnBa em universidade no fim dos anos 80. Acompanhei a expansão territorial para fazer jus ao novo nome "...da Região da Campanha". Vivenciei com apreensão a grande crise econômica que, até hoje, produz importantes efeitos negativos para a gestão financeira da Instituição e que, no seu auge, desencadeou a campanha da famigerada "federalização", que até melhorou a relação da universidade com a comunidade, desencadeou ou, pelo menos, coincidiu com a criação do ProUni e da Unipampa, mas que, internamente, até onde eu saiba, não trouxe grandes efeitos positivos e, pelo menos para mim, não deixou boas recordações. Mas como o momento é de celebração, não vem ao caso destacar essa página triste da história.
Enfim, altos e baixos, bons e maus momentos, nestas mais de quatro décadas que a instituição, localizada na avenidaTupy Silveira, nº 2.099, faz parte da minha vida. Nada muito diferente de uma vida humana ordinária e que, como sintetizou brilhantemente o Rei Roberto Carlos, "se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi." Parabéns ao curso de Direito, parabéns à Urcamp. Enfim, parabéns para todos aqueles que fizeram parte desta história cinquentenária!

 

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