ANO: 26 | Nº: 6495

Dilce Helena Alves Aguzzi

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Psicóloga
19/11/2019 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Quantas vezes?

Toda experiência que se repete tem implícita uma lição ou verdade que ainda não foi absorvida. Atualmente, o mundo vive a epidemia da falta de tempo e com essa "falta" parece que tudo se justifica, inclusive o ciclo vicioso da repetição de temas relegados a segundo plano.
Todos nós já passamos pela experiência de protagonizar inúmeras vezes determinada situação sem compreendê-la plenamente. Encontrar tempo e vontade de pensar sobre o que se vivencia, descobrir o que tem para nós de crescimento por trás desses ciclos é a proposta de descoberta de si mesmo a partir da conscientização do que é experimentado, por mais simples e banal que seja.
Quantas vezes precisamos assistir ao mesmo filme para termos a nossa percepção sobre seu conteúdo, sua mensagem?
Quantas vezes precisamos ler e reler o mesmo livro para compreender seu significado? Ou melhor ainda, quantos significados diferentes somos capazes de encontrar no mesmo livro se formos capazes de reler em tempos diferentes da nossa vida?
Quantas vezes temos que repetir o mesmo erro até aprender a corrigir de modo que estaremos prontos para não errar mais nesse quesito e estarmos prontos para novos erros?
Quantas vezes somos capazes de ouvir a mesma mensagem sem permitir que ela ecoe em nossa cabeça?
Quantas vezes precisamos repetir as mesmas ações para perceber que resultados novos só irão surgir se tentarmos atitudes diferentes?
Quanto de potencial ainda estamos dispostos a sacrificar justificando ações preguiçosas, defensivas, egoístas ou covardes?
Quantas vezes precisamos chegar atrasados para entender a importância de acordar mais cedo?
De quanto desconforto estamos falando até assumirmos a responsabilidade de mudança e o trabalho que ela acarreta para uma existência com mais sentido, com mais alegria e plenitude?
Quantas vezes daremos as mesmas desculpas ou justificativas para velhos problemas que tendem a se renovar e no futuro cobrarão o preço da indulgência?
Quantos momentos preciosos da vida estamos dispostos a oferecer em sacrifício em troca de distração vulgar que nada produz e nada transforma?
Quantas queixas somos capazes de fazer sobre os outros, a respeito da rotina, do mundo e da vida antes de nos contentarmos com o verdadeiro projeto de trabalho de uma vida, ou seja, nós mesmos e nossa missão única e individual de autodescoberta e transformação?

 

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