ANO: 25 | Nº: 6398

João L. Roschildt

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Advogado e professor do curso de Direito da Urcamp
28/11/2019 João L. Roschildt (Opinião)

Escravo quer escravo

Tão abjeto e imoral quanto um ato racista é a falsificação da realidade para criar uma discriminação racial. Em tempos hipersensíveis e dominados por coletivismos que buscam dividir a sociedade, ideias, brincadeiras e toda ordem de relações sociais são alvos frequentes de servos ideológicos que adulteram deliberadamente a verdade. Travestidos de abolicionistas mentais, estes grandes idiotas cumprem a tarefa de conquistar novos cativos intelectuais para suas doutrinas políticas.

Nessa dinâmica, qualquer pensamento que escape daquilo que o professor Paulo Cruz denominou de “senzala ideológica”, deve ser imediatamente “capturado” e sofrer severa punição. Assim, se um negro é contrário às cotas étnico-raciais ou se mostra avesso ao “Dia da Consciência Negra”, imediatamente as hordas não titubearão em imputar a paradoxal pecha de “traidor”. E se for um branco a defender estas ideias, “racista” é pouco.

No reino sagrado destes “sábios” idiotas, a racionalidade deve estar submissa a uma etnia (ou tom de pele). Nos dizeres da “filósofa” progressista, Djamila Ribeiro, nova queridinha da mídia, “falta aos brancos ler os autores negros”. Ok! Walter Williams, Thomas Sowell, Joaquim Nabuco e Paulo Cruz, servem? Ou só podem escritores com o selo “marxista” de qualidade?

Há poucas semanas, o jogador português Bernardo Silva, do Manchester City, foi punido pela entidade máxima do futebol inglês, a Footbal Association (FA), em razão de uma brincadeira inadequada ou que, na linguagem exagerada contemporânea, poderia ser caracterizada como politicamente incorreta. No final de setembro, Bernardo publicou em seu Twitter uma montagem em que aparece uma foto do francês Benjamin Mendy, seu colega de equipe, quando ainda era criança, ao lado do desenho de um personagem, Conguito, que caracteriza a famosa marca espanhola de chocolates Conguitos, escrevendo: “Adivinhem quem é?”. Tanto Mendy quanto o mascote são negros. Na comparação, de acordo com os críticos, Bernardo estaria reforçando estereótipos, como lábios “carnudos”, o que classificaria tal tweet como racista.

De nada adiantou Mendy ter dado risadas da situação e ter dito ironicamente que está “1 x 0” para Bernardo; de nada adiantou o seu técnico, Josep Guardiola, dizer o quanto Bernardo não é racista e como o desenho e a fotografia se parecem, algo que caracteriza uma piada e que já foi feita inúmeras vezes também com pessoas brancas; de nada adiantou a comprovada e sincera amizade entre Mendy e Bernardo; e, de nada adiantou Mendy ter escrito à FA uma defesa de seu amigo e ter explicado como a postagem não foi ofensiva. A FA puniu o português com um jogo de suspensão, com o pagamento de uma multa de cerca de R$ 270 mil e decretou que ele deve se submeter a um “processo educacional” (nas questões raciais), como parte de sua sanção. A justificativa? Insultar alguém por motivo étnico. No início de outubro, o jornal espanhol Marca disse que Guardiola estava sendo investigado em razão da defesa que fez de Bernardo no caso de Mendy.

Na escravidão ideológica progressista, os escravos mentais são intolerantes com a liberdade. Submissos às cartilhas coletivistas, são escravizados que esparramam escravidão. Agem, caçam e aprisionam em nome da senhora “ideologia”. E, em desumanos porões, agrilhoam cruelmente a racionalidade.

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