ANO: 25 | Nº: 6398

Rochele Barbosa

rochelebarbosa@gmail.com
Jornalista formada pela Universidade da Região da Campanha. Responsável pela produção e reportagem do caderno de Saúde do Jornal MINUANO
02/12/2019 Caderno Minuano Saúde

Cuidados Paliativos: para a vida ou para a morte?

Foto: Divulgação

CAPA
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Os Cuidados Paliativos vieram para ocupar lugar definitivo na assistência à saúde no mundo e no Brasil. A prática, que consiste em uma série de ações coordenadas e integradas, realizadas por uma equipe multiprofissional (médicos, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas, farmacêuticos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, capelães e voluntários capacitados para tal), promove não apenas o conforto e o bem-estar, mas a compreensão do processo saúde-doença e o exercício da autonomia em todas as fases do adoecer.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), em conceito definido em 1990, e atualizado em 2002, ‘cuidados paliativos consistem na assistência promovida por uma equipe multidisciplinar, que objetiva a melhoria da qualidade de vida do paciente e seus familiares, diante de uma doença que ameace a vida, por meio da prevenção e alívio do sofrimento, da identificação precoce, avaliação impecável e tratamento de dor e demais sintomas físicos, sociais, psicológicos e espirituais’.
Nesta edição, a médica geriatra Alice Weykamp da Cruz irá explicar sobre esse trabalho.

Saúde para todos
O envelhecimento populacional mundial vem ocasionando uma mudança progressiva no perfil epidemiológico das doenças crônicas não transmissíveis, explica a médica. “A perspectiva é de um aumento ainda maior nos próximos anos do número de enfermidades como demências e neoplasias, levando a um maior número de pessoas idosas com perda de qualidade de vida e com variados graus de dependência. Assim, é fundamental saber abordar adequadamente esse idoso doente, de maneira integral (orgânica, funcional e espiritualmente), sem medidas fúteis que prolonguem seu sofrimento e de seus familiares.”, ressalta.
Alice ainda complementa que os cuidados paliativos são indicados para todos os pacientes (e familiares) com doença ameaçadora da continuidade da vida por qualquer diagnóstico, com qualquer prognóstico, seja qual for a idade, e a qualquer momento da doença em que eles tenham expectativas ou necessidades não atendidas. “Visam aliviar o sofrimento e agregar qualidade à vida e ao processo de morrer. Desta forma, os Cuidados Paliativos são para a vida, e não como comumente escutamos que são para a morte porque não há nada mais a ser feito”, acrescenta.
Um dos maiores desafios da área em questão é a dificuldade que o próprio profissional da saúde tem com relação à terminalidade e às limitações da existência humana. O isolamento das emoções é a forma privilegiada que a medicina encontrou para fazer frente a essa armadilha da profissão médica, que é estar cotidianamente em contato com a morte mas, contraditoriamente, não ser preparado para lidar com ela.
Como já dizia Sêneca: “Não é uma questão de morrer cedo ou tarde, mas de morrer bem ou mal. Morrer bem significa escapar vivo do risco de morrer doente”.

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