ANO: 26 | Nº: 6543

Luiz Fernando Mainardi

luiz.mainardi@al.rs.gov.br
Deputado Estadual
04/12/2019 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

Dia da solidariedade aos palestinos


Mais um 29 de novembro que lembramos a luta do povo palestino por seu território, sua dignidade como nação, suas riquezas e sua autoestima como povo. Já se vão 72 anos da resolução que recomendou a partilha da Palestina. Uma partilha que já tem uma origem injusta, mas que foi se realizando historicamente com ainda mais injustiça, porque se concretiza como ocupação de um território, inclusive com atos ilegais e contrários às resoluções da ONU, como a implantação de colônias em territórios reconhecidamente palestinos da Cisjordânia, e exclusão de um povo de sua terra originária, gerando seis milhões de refugiados palestinos, o equivalente a 9% de todos os refugiados que existem no mundo.
Este ano, a Federação Árabe Palestina no Brasil, a Fepal, ocupou espaços da Assembleia Legislativa para denunciar, em forma de banners, cartazes e textos, a opressão a que está submetido o seu povo que mora no que ainda resta de territórios a disposição da população árabe-palestina que habita na região. A exposição estava ancorada, basicamente, na manifestação de personalidades públicas internacionais sobre o tema. Pessoas como Nelson Mandela, Albert Einstein, Noan Chomsky, Mahatma Gandhi, todos reconhecidos por suas características de ponderação e, ao mesmo tempo, profundo conteúdo humano de suas opiniões. Eu, um apoiador da causa palestina, emprestei minha solidariedade e um espaço ao qual tinha direito para viabilizar essa mostra.
Infelizmente, a exposição gerou protestos da comunidade judaica de Porto Alegre, que usou termos duros para classificar o ato, confundindo, provavelmente, a intenção fundante daquela exposição, que era defender o direito de um povo e não atacar o direito de outro. Já existem muitas resoluções da ONU classificando a ocupação territorial e a opressão militar que Israel mantém sobre os palestinos como prática ilegal e inaceitável do ponto de vista do direito internacional. Israel, inclusive, apenas foi aceito no concerto das nações que representa a ONU, em 1949, com uma cláusula condicionante, que era permitir o retorno dos refugiados palestinos, o que até hoje ainda não foi cumprido.
Temos uma relação que se pode caracterizar como histórica com a comunidade palestina do Rio Grande do Sul. Nós que moramos na zona sul, na Campanha e na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, conhecemos os valores éticos desta comunidade e sua evidente disposição para o convívio pacífico e socialmente profícuo. Se é assim aqui, porque não seria lá, onde estão em sua terra natal? Então, nos parece claro que a violência que se vê, de tempos em tempos, na região da Palestina, não é gerada por alguma característica natural do povo palestino, ao contrário.
Para acabar com a violência, é preciso acabar com o que causa a violência, criando um ambiente que seja justo e internacionalmente aceito para o convívio desses dois povos de valor histórico idênticos e importantes. Judeus e Palestinos têm o direito a viverem em paz, em um acordo de procedimentos que supere as imposições pela força, pela ganância e pelos interesses geoestratégicos cujos beneficiados estão bem longe das terras em que o conflito se manifesta.
Nossa opinião, sempre expressa em todos os fóruns de diálogo e debates em que participamos, é a de uma paz duradoura baseada na existência de dois Estados autônomos, independentes e soberanos. Para mim, entretanto, é evidente, que para que isso seja conquistado é preciso impedir que o Estado mais forte econômica e militarmente oprima o outro povo original de tal forma que o impeça e o exclua dos direitos mais básicos da cidadania, como já ficou demonstrado em centenas de reportagens independentes sobre a temática e sobre a política do governo israelense contemporâneo.
Por tudo isso, não posso aceitar que essa minha visão seja confundida com qualquer tipo de antissemitismo, algo que costuma caracterizar personalidades políticas da extrema direita política, posição que todos sabem está muito distante das minhas convicções. Minha posição parte de uma aderência à parte oprimida, mas com uma perspectiva de construção de um convívio harmônico e pacífico entre os dois povos. Não estou ao lado dos que querem empurrar os judeus para o mar mediterrâneo, mas não posso aceitar as condições sub-humanas a que estão submetidos os palestinos que resistem em seu próprio território.
Viva a luta do povo palestino. Viva a paz. Viva o direito de palestinos e judeus de viverem lado a lado, com respeito mútuo, diálogo e dignidade.

Líder da bancada do PT na AL

 

Deixe seu comentário abaixo

Outras edições

Carregando...