ANO: 25 | Nº: 6485
10/12/2019 Esportes

Direção do Guarany divulga metas e desafios para 2020

Foto: Yuri Cougo Dias

Comissão técnica terá sequência no trabalho
Comissão técnica terá sequência no trabalho
Novidades no futebol, projeções para a Divisão de Acesso e um apelo aos conselheiros. Informações não faltaram na coletiva de imprensa concedida na manhã de ontem, pela diretoria e comissão técnica do Guarany. O bate-papo ocorreu por mais de uma hora, nas dependências da C.C. Corretora de Seguros. Embora a cautela no que se refere ao poder de investimento, pela tradição do clube, os diretores não escondem a ambição de retornar à elite do futebol gaúcho.
Aspectos importantes, como a negociação dos passivos trabalhistas, também foram abordados. Inclusive, houve um apelo à necessidade de apoio dos membros do Conselho Deliberativo. Também restou tempo para falar do boato que circula na cidade sobre uma possível de ida do meia Fernandinho para o Estrela D'Alva.

Adversários e projeções

Com estreia marcada para o dia 1º de março, em casa, contra o Guarani de Venâncio Aires, Vanderson discursa o pensamento jogo a jogo. Por mais que reconheça o peso que envolve um Ba-Gua, ressalta a importância desligar-se dos demais adversários. "São 16 equipes com o mesmo objetivo. É uma competição muito difícil, mas, é claro que, pela tradição do Guarany, almejamos algo melhor. O clássico Ba-Gua é um jogo diferente, mas, antes, temos seis rodadas. Hoje, o jogo mais difícil é contra o Guarani-VA, que é o da nossa estreia. Temos que conquistar pontos importantes até chegar ao Ba-Gua (será nas sétimas e oitavas rodadas)", enfatiza.
Em termos de jogadores, até o momento, nove foram anunciados. Porém, 20 já estão alinhavados, esperando somente os últimos trâmites. Inicialmente, Vanderson deve abrir a pré-temporada com 20 ou 22 atletas. Com o tempo, novos serão incorporados ao elenco. Jogadores da série A ou de outros estados são as hipóteses estudadas. O trabalho deve ser aberto, no mínimo, 40 dias antes da estreia na Divisão de Acesso. "Primeiramente, somos muito gratos ao grupo que foi campeão, por ter comprado a nossa ideia. Mas hoje as necessidades são outras. O grau de exigência é muito maior. No momento, temos três atletas que são remanescentes", diz.
Nesta nova empreitada, Vanderson terá a companhia de Jé, como auxiliar técnico. Ex-jogador, campeão da Libertadores de 1995 com o Grêmio, esta será a primeira vez que o profissional desempenhará a função. "Claro que já tenho uma longa jornada no futebol, mas essa função é uma novidade. Já tenho uma amizade de longa data com o Vanderson, pelo fato de termos jogado juntos. Há duas temporadas, já tinha recebido convite dele, mas tinha questões pessoais, envolvendo a empresa que tenho em Porto Alegre. Essa oportunidade será muito importante para meu crescimento", pontua.
Um que retorna ao clube é o preparador físico Mariel Mees. Em 2019, realizou o trabalho na pré-temporada e nas primeiras quatro rodadas da Terceirona. Depois, transferiu-se para o futebol catarinense. Em termos de definições da parte física, deixa claro que o planejamento sofrerá mudanças, em virtude da mudança de divisão. "Minhas ideias de futebol batem muito com as do Vanderson. O Guarany é um clube centenário e o maior campeão do interior gaúcho. Isso me dá visibilidade. Agora, o foco é dar sequência no trabalho. Na coletiva de imprensa da primeira vez que fui apresentado, disse que chegaríamos em 100% de nossas condições do mata-mata. Sabíamos que iríamos nos classificar, e como os jogos eram só aos finais de semana, podíamos trabalhar a parte física de uma forma bem gradual. Agora, no Acesso, muda o foco. Temos quatro jogos em casa nas seis primeiras rodadas. Então, já temos que começar a competição num bom grau físico", aponta.

Meta: subir

Nas últimas temporadas, os mandatos diretivos eram de um ano. Porém, quando eleito, Tato pediu dois anos. Segundo ele, só assim poderia colocar em prática um planejamento. Ele destaca, ainda, que o clube não possui um presidente, mas 15. "Todos temos o mesmo para definições. Quando pedimos mais tempo, tínhamos a certeza que, se apertássemos um pouco mais, subiríamos, pois tínhamos contratado excelentes profissionais. Mas, agora, queremos subir de novo. Não vou fazer que todo mundo sai de casa somente para jogar. Montar time para daqui a três anos? Isso não existe no Guarany", declara. Ainda sobre o corpo diretivo, Cleo Coelho não poupou elogios ao diretor de Futebol, Tiago Segredo. "Enquanto olhamos o Guarany, ele olha o jogo do adversário, para ver quem pode vestir, futuramente, a camisa do clube. É um trabalho de excelência", frisa.

Marca própria e espaço novo

As novidades também envolvem o Departamento de Marketing. A partir de 2020, o Guarany contará com a própria marca no fardamento do clube: "DezeNove07", em alusão à data de fundação. A medida tem sido uma tendência nacional. No interior, Juventude e Caxias têm marca própria. No resto do Brasil, Fortaleza, Ceará e Remo são alguns exemplos. "O pensamento é de que ficávamos limitados ao fornecedor, que coloca um custo e o clube deve se submeter. Agora, podemos oferecer ao torcedor um preço mais acessível. Hoje, qualquer camisa de um clube em alta custa R$ 299. Nós, que estamos em alta, venderemos por R$ 100. Será mais em conta e com qualidade. Com isso, temos poder de barganha", destaca o vice Cleo Coelho.
Outra medida é a criação de um espaço alvirrubro, que funcionará como uma Central de Atendimento. O serviço funcionará no Calçadão, na rua Pelotas, ao lado da antiga sede da Rádio Clube, e deve começar a funcionar daqui a 10 dias. "Será uma extensão da secretaria do clube. Fizemos isso em 2005 e foi um sucesso. Ingressos serão vendidos na véspera de jogo; torcedor poderá se associar; venderemos bolsa, mochila, caneta, chaveiro, canecas. Será um espaço para contato com o torcedor", detalha o presidente Tato Moreira.

Estrutura e reformas

Em relação ao patrimônio, Tato garante que a missão mais urgente é a iluminação, tanto interna quanto dos refletores. Até porque, em janeiro, a pré-temporada será aberta. A ideia é que na metade do mês que vem, o problema já tenha uma resolução. Paralelamente, também haverá uma campanha de captação de recursos para pintura do estádio, cuja responsabilidade será da torcida organizada Índio Guerreiro. "Também existe a possibilidade de fazermos mais dois portões. A Brigada Militar já conversou conosco, pois, nesse ano, será diferente. Receberemos mais torcedores, principalmente do Grêmio Bagé. Mas não serão grandes mudanças. Nosso alvará é até 2021. Porém, qualquer modificação física muito grande, temos que alterar o PPCI", informa Tato.

Passivos trabalhistas e conselheiros

O Guarany também age nos tribunais, a fim de concentrar todos os passivos trabalhistas numa única execução, junto ao Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região. A medida, conforme o advogado do clube, Pedro Moura, inibiria às atuais penhoras, que tem prejudicado a captação de patrocinadores. "O Guarany perde patrocínio porque o tribunal está mandando ofício. Se o tribunal aprovar a proposta, o clube segue pagando e não haverá mais penhora. Mas essa decisão passa pelo Conselho Deliberativo", ressalta.
E é esse aspecto que preocupa o clube. Dos 170 conselheiros, a estimativa da direção é que somente 10% são ativos na rotina do clube. "Se 60 conselheiros pagassem em dia, já seria o suficiente para pagarmos as mensalidades dessa execução. Precisamos da ajuda deles. Antes, quando tinha o repasse mensal do Daeb, o valor ia direto para as trabalhistas. Mas, agora, não há mais", desabafa o advogado.

Fernandinho cogitado

Há alguns dias, circula na cidade um boato de que o meia Fernandinho, identificado com o Bagé, poderia calçar as chuteiras no Guarany, em 2020. E isso se reforça a cada dia, pois, até agora, o jogador não renovou com o jalde-negro. Questionado na coletiva sobre o jogador, o vice Jorge Kaé deu a seguinte declaração. "Todo bom jogador está nos planos. Até o Douglas, do Avaí (ex-Grêmio) ou o D'alessandro me serve. Todo jogador bom serve, mas tem que se enquadrar na realidade do clube e querer botar a nossa camisa. Fernandinho é uma excelente pessoa, mas ele teria que querer. Repito: todo jogador bom serve, mas isso não significa que ele vai vir", aponta. De qualquer forma, a declaração deixou a polêmica ainda mais forte.

Roupas benzidas

Se informação não faltou, a descontração foi da mesma forma. Em 2015, Vanderson foi campeão da Terceirona pelo Marau ao vencer o Guarany, na decisão. Na semifinal, já havia superado o Bagé. Na semana que a equipe ficou em Bagé, quem prestava serviço de lavagem das roupas era a empresa do presidente Tato. "O Tato ia pegar nossas roupas e mandou benzer. Deu certo, mas para mim", declarou em meio a risos.

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