ANO: 26 | Nº: 9492

Luiz Fernando Mainardi

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Deputado Estadual
11/12/2019 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

Um farroupilha chamado Haddad


Nesta segunda-feira (9), o ex-ministro da Educação nos governos Lula e Dilma, Fernando Haddad, recebeu de minhas mãos e das do deputado Valdeci Oliveira, representando a presidência da Assembleia Legislativa, a medalha do Mérito Farroupilha; uma honraria oferecida pelo parlamento gaúcho por indicação de um parlamentar e decisão da Mesa Diretora para pessoas que tenham tido relevante importância para o Rio Grande do Sul e para os gaúchos.
Embora essas decisões tenham, sempre, um recorte político e ideológico, é preciso que se analise caso a caso para concluir sobre a justeza ou não da homenagem. Sabemos que existem algumas que não são justas, em geral mesquinhas, de cunho restrito à política e/ou ideologia do proponente e de uma maioria de ocasião que se possa construir na instância decisória, a Mesa da Assembleia Legislativa.
Mas a medalha para Haddad não tem nada a ver com um critério de cunho político e ideológico apenas. Ao contrário, dentre as últimas homenagens é, sem dúvida, uma das pessoas de maior destaque em realizações que favoreceram o nosso estado e os gaúchos e gaúchas. Eu tratei disso em meu discurso (que está publicado em minha página do Facebook para quem quiser lê-lo na íntegra) e repito alguns dados aqui.
Haddad foi o ministro da educação que mais investiu no Rio Grande do Sul, inclusive pela longevidade de sua gestão. Basta comparar os orçamentos para se ver a enorme diferença entre o que existia antes do presidente Lula e o que veio depois da presidente Dilma, governos em que ele foi ministro. Haddad triplicou, em valores reais, os investimentos públicos em educação, incluindo aqueles investimentos que foram feitos diretamente no Rio Grande do Sul.
Foi ele, desde quando era secretário-executivo do ex-governador Tarso Genro no ministério da Educação, que implantou os programas paradigmáticos que mudaram a educação no Brasil. Hoje, quem ouve falar em Prouni sabe o que é. Talvez não saiba que apenas em nosso estado, foram 200 mil jovens beneficiados do início do programa até agora. 200 mil jovens, repito, que tiveram seus estudos financiados pelo governo federal através de bolsas integrais.
No ensino superior, foram criadas 20 mil novas vagas em solo gaúcho, expandindo, como nunca, o ensino universitário e beneficiando todas as regiões do Rio Grande do Sul. Isso sem falar na implantação integral de duas novas universidades públicas: uma, a Unipampa, beneficiando 10 cidades da Campanha e da Fronteira Oeste, e outra, a Universidade Federal da Fronteira Sul, com campus em Passo Fundo, Erechim e Cerro Largo.
Mas muitos gaúchos também conhecem a ampliação e qualificação dos Institutos Federais de Educação, as antigas Escolas Técnicas, que foram revigoradas a partir de um programa em escala nacional, beneficiando milhares de estudantes em todo o país e, por óbvio, no Rio Grande do Sul. Só aqui em nosso estado, foram 27 campus de IFEs (Escolas Técnicas Federais), atingindo todo o estado e gerando milhares de vagas de ensino tecnológico de última geração.
Em Bagé, houve, ainda, uma parceria do MEC com a prefeitura, criando o Programa de Acesso ao Ensino Superior Universitário (Proesc), no qual se investiu, basicamente com fundos do ministério, cerca de R$ 20 milhões de reais para comprar vagas no ensino privado da região, permitindo o acesso às universidades regionais da população menos favorecida.
Mas não foi só na educação universitária que o ministro Haddad interviu para beneficiar o RS. Veja, foi ele que criou o programa Mais Escola, que beneficiou todos os alunos de ensino médio e básico em nosso estado, com ônibus escolar, merenda de maior qualidade, equipamentos pedagógicos, bibliotecas, etc, etc.
Foram 20 mil ônibus escolares comprados na sua gestão. Não são 200, 1000 ônibus, são 20 mil ônibus. A maior parte deles, inclusive, comprados de uma empresa gaúcha, o que beneficiava não apenas os alunos e as comunidades escolares, mas a própria economia do estado, gerando crescimento e emprego para os gaúchos.
Não vejo, portanto, quem mais merecia esses reconhecimento. Por sua capacidade, por sua visão, por seu compromisso com uma área que é fundamental para qualquer sociedade se desenvolver.
Infelizmente, vemos retrocessos em todas as áreas, mas na área educacional isso chega a dar vontade de chorar. Hoje, não temos políticas, não temos programas, não temos sequer um ministro que tenha compromissos claros com a qualificação de nosso ensino.
Por isso, é fundamental esse reconhecimento. Reconhecer a importância de um professor para o nosso estado é, também, um jeito de reconhecer o valor de cada um dos professores e professoras que, agora, lutam para que a educação pública não seja destruída também no Rio Grande do Sul.
Haddad merece. Haddad é um baita farroupilha!

Líder da bancada do PT na AL

 

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